Senso&Consenso

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Com devida vênia dos manifestantes

Que não se iludam aqueles que pensam que ao tornar réu o senador tucano Aécio Neves, na última terça-feira, 17, o STF (Supremo Tribunal Federal) sinalize que está em consonância com a sensibilidade que brota das ruas, quando o assunto é corrupção. Mesmo por que as ruas silenciaram faz tempo e mais ainda após a prisão do ex-presidente Lula. Ao avaliar que a Suprema Corte está ouvindo e aceitando as pressões externas para deliberar suas decisões, tem muita gente vibrando com essa postura mais enérgica sem observar, de fato, outras mais complacentes. Como a liberação do senador cassado Demóstenes Torres, que pertencia ao DEM e hoje está no PTB-GO. No mesmo dia em que a primeira turma do STF votava pela inclusão do tucano no rol dos réus (trocadilho bonito, este), a segunda liberava o petebista de sua condição de cassado, mas sem poder reassumir o cargo. Estranho. Mas como tudo é muito estranho nesse país…
Talvez a ministra Rosa Weber, no dia da votação do habeas corpus ao próprio Lula tenha, sim, se assustado com a voz de comando do general cinco estrelas, que cá entre nós não cheirou e nem fedeu (apesar de toda celeuma que causou nos dias que seguiram) e no conforto proferiu o seu voto. Mas é inegável que alguém tenha, do outro lado da moeda, que sofrer a consequências de seus atos, numa demonstração de que a Justiça não é seletiva – embora seja na prática – e a todos alcança. Esse pode ser o recado do STF, mas que ainda está longe de atuar de forma a atingir todos os pingos e em todos os “is”, batendo em Francisco como bate em Chico. Não que não seja importante a decisão, mas há um misto de desconforto e falta de veemência nos votos de suas excelências, que é um claro sinal de Pilatos, ou seja, lavam as mãos no sangue alheio.
Ainda há muita coisa por trás da porta, que precisa estar bem aberta para que todos possam enxergar. A corrupção com certeza não acabou com a prisão de Lula, que serviu apenas para encher de felicidade aqueles que passavam os dias nas redes sociais, clamando pelo encarceramento do ex-presidente. Esfregando as mãos a cada condenação, enquanto outros, passando-lhes mel na boca, continuavam com o tradicional escárnio à opinião pública. É mais correto afirmar que Lula preso foi o grande mote das ruas, das bandeiras, camisas da seleção brasileira e narizes de palhaço, e não o combate à corrupção ou aos bandidos do colarinho branco. Só mudaram os pescoços, por que os colarinhos são os mesmos. E esses novos (velhos) colarinhos podem roubar à vontade. Têm a permissão dos manifestantes.

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