Editorial

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Diálogo frustrado

A questão habitacional, um dos problemas mais sérios do país, volta a entrar na pauta das discussões políticas em Limeira. Há anos sem um único programa municipal para o setor (tem se valido dos estaduais e federais), o prefeito Mario Botion (PSD) sinaliza que não quer muito diálogo, não, ao enviar à Câmara Municipal e fazer aprovar, em regime de urgência, na sessão da última segunda-feira, 9, projeto de lei que exclui do cadastro desses programas, pretendentes que participem de alguma ocupação irregular, ou que façam parte de processo judicial de desapropriação.
A justificativa de exclusão, além de não ficar clara, parece mais um procedimento autoritário no qual se diz “seus direitos foram negados, por que você protestaram”. Soa estranho à atual administração tal postura, que, espera-se, seja revista. E que foi muito bem definida pelo vereador Nilton Santos (PRB), que foi contra o regime de urgência. Santos defendeu, mesmo afirmando ser contra invasões, que antes de aprovar o projeto, Botion deveria dialogar com os movimentos e tentar acordos. Questão de bom senso. Outros cinco vereadores, Constância Félix (PDT), Marco Xavier (PSB), Rafael Camargo (PMDB), Clayton Silva (PSC) e Wagner Barbosa (PSB), também discordaram do regime de urgência.
A questão social da habitação para baixa renda vai muito além de exclusões e falta de diálogo. Incentiva iniciativas eleitoreiras e demagógicas, como já há exemplos efetivos em Limeira e de grupos de especulação. Ninguém pode frustrar um diálogo que é possível.

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