Editorial

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Sete meses difíceis

O processo eleitoral para 2018 se encaminha para uma salada partidária que desanima o eleitor. Tanto quanto os enroscos nos quais estão metidos os próprios políticos e seus partidos, que a cada chacoalhada na árvore mais e mais frutos podres são derrubados, sem nem mesmo terem amadurecidos. No dia a dia se vê um desinteresse geral, que é preocupante do ponto de vista de uma jovem democracia como é a brasileira, que se sustenta à base da força de vontade de poucos, quando o interesse da maioria é jogá-la definitivamente no lixo. Ou pelo menos descaracterizá-la, para que negociatas espúrias predominem sobre a transparência necessária.
Situação que, mais que conhecida, perigosamente desemboca em candidaturas aventureiras e despreparadas para o exercício do poder. E da própria democracia. Os exemplos estão aí e, a cada dia, novos pré-candidatos se lançam com seus projetos mambembes e fora do contexto do debate público. São balões de ensaio que, se levados a sério, implodiriam qualquer sistema de governo. Mas estão aí, facilitados pela precária organização política partidária nacional que hoje mais confunde do que explica e é mantida justamente para isso.
Não há, hoje, por enquanto, postulantes ao Palácio do Planalto que se possa levar a sério. Com raríssimas exceções entre alguns novatos, de conhecida militância, ou um o outro, que continuam buscando visibilidade, a maioria pisa na mesma lama podre e ninguém sabe se afundará nela ou conseguirá se limpar a tempo. Apesar de serem apenas pré-candidatos, já estão postos publicamente e boa parte deles conhecida dos eleitores. O mesmo raciocínio vale para outras esferas do poder, nos quais a lama já consumiu a maioria e é mais fétida ainda. Até o fim desse suplício – ou da redenção total – sete meses vão continuar consumindo a esperança do povo brasileiro.

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