Dia Internacional da Mulher: “Onda conservadora afeta direitos”

Dia Internacional da Mulher: “Onda conservadora afeta direitos”

Antonio Claudio Bontorim
LIMEIRA
claudio.bontorim@tribunadelimeira.com.br

Ano eleitoral vem sempre carregado de simbolismos e, principalmente, de esperanças por mudanças nos rumos do país. As mulheres, que hoje representam a maioria da população, com 52%, também sentem o efeito da situação política, principalmente pela onda de conservadorismo que se observa no cenário atual. Em Limeira, o Coletivo Voto Mulher faz um trabalho de conscientização sobre a importância do voto e da representatividade feminina na vida local e nacional. “Há, sim, um retrocesso de direitos, que atingiu não só as minorias, como também as mulheres”, disse à Tribuna de Limeira, a representante do Coletivo, Bruna Sequinato. Graduada em ciências políticas pela Unicamp, Bruna afirma que apesar dessa onda conservadora, é notável a força dos movimentos sociais, à medida que os direitos são reduzidos ou negados. “O movimento feminista, por sua vez, tem conquistado cada vez mais o seu espaço e mais mulheres têm se conscientizado a respeito de seus direitos e dos espaços que podem ocupar”, explicou.
Segundo a representante do Coletivo Voto Mulher, assim como no cenário nacional, na cidade de Limeira se nota que há um movimento conservador transcorrendo, que causa retrocesso e paralisação das conquistas por mais direitos. “Hoje na Câmara de Vereadores, por exemplo, os partidos são representados muito mais pela sua ala conservadora, dificultando projetos mais progressistas, como a questão dos direitos humanos, debate de gênero e classes sociais”, lembrou. Tudo isso, de acordo com Bruna, e mais as notícias veiculadas diariamente, ligando cada vez mais a classe política à corrupção e a impunidade, causam desânimo e sensação de impotência na população para tratar de temas relacionados à política. “Essa tendência conservadora encontra respaldo nas redes sociais, onde cada vez mais camadas da população se sentem representadas por figuras ultraconservadoras, disseminando suas ideias, muitas vezes carregadas de preconceitos e também carregando ainda mais no discurso de ódio”, disse.

VAI PIORAR
Para Bruna Sequinato, dependendo do resultado das eleições, a possibilidade de a onda conservadora crescer ainda mais é bastante factível. “Há figuras disputando o título de salvadores da pátria e quem nem de longe nos representam de fato e, que não têm respaldo para falar em nome das mulheres de uma maneira, considerando-se a grande diversidade de mulheres no Brasil”, lembrou, para em seguida afirmar que “o movimento feminista tem se fortalecido com a ideia de contrapor o conservadorismo e garantir seus direitos, através de mobilização, debates e ocupação de espaços de decisão”.
Em Limeira, segundo ela, o Voto Mulher tem se mobilizado no sentido de criar espaços de diálogo e troca entre movimentos feministas da cidade, com a intenção de atrair mulheres para o debate. “Além disso, no decorrer do último ano, tivemos ações afirmativas por meio de eventos, palestras, participações em programas de televisão, rádio e jornal; encontros com administradores públicos para dialogar acerca de temáticas relativas às mulheres”, comentou. O Coletivo tem se valido bastante das redes sociais, nas quais estabelecem grupos de mulheres com mais de três mil participantes, majoritariamente de Limeira. Bruna enfatizou a necessidade de que a população se conscientize sobre os efeitos desse movimento, procurando conhecer melhor os candidatos em quem desejam votar. “Temos, sempre, que nos informar cada vez mais, conferindo a veracidade de cada informação e das fontes de origem; ocupar espaços de debate e decisão, enfim, atuar politicamente enquanto cidadão”, finalizou.

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