Senso&Consenso

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Intervenção, eleição e Temer na urna

Muito sintomático o anúncio – e a aprovação – da intervenção da segurança no Rio de Janeiro. Não que o Estado não precise de um puxão de orelhas e correção nos seus rumos, já que é administrado pela continuidade de Sérgio Cabral, com o também emedebista Pezão, e sua capital por um pastor evangélico, que fingiu desconhecer as tradições culturais cariocas e preferiu fugir do país, enquanto a cidade pegava fogo. Mesmo por que, há outros estados em pior situação de segurança, mas, cá entre nós, não é tão visível quanto a ex-capital do país. O presidente Michel Temer (MDB), entretanto, foi hábil e isso é preciso reconhecer, inclusive para colocar uma cortina de fumaça na maltratada e desfigurada reforma da Previdência, que de antemão ele já sabia que não conseguiria aprovar na Câmara dos Deputados.
A intervenção, como é do conhecimento de todos, tranca todas as outras PECs (Propostas de Emenda Constitucional) que estão no Congresso. Entre elas a previdenciária, que outro dia era o carro-chefe da publicidade governamental. E dá tempo para que o presidente comece a alinhavar sua própria candidatura ao Palácio do Planalto. Mesmo com sua impopularidade nas alturas, se ele conseguir emplacar uma melhora na segurança do Estado do Rio de Janeiro com essa intervenção estará com meia campanha eleitoral nas ruas. E vai por adversários que correm na mesma raia que ele, para buscar alternativas para se viabilizarem. E Geraldo Alckmin (PSDB), ou quem quer que seja o candidato tucano, está entre esses candidatos. Assim como Jair Bolsonaro (PSC), que aos poucos perde seu discurso.
Ao que tudo indica, essa é a bala de prata do emedebista, para tentar, no futuro, garantir seu foro privilegiado, já que todos os processos contra ele serão reabertos, assim que deixar o Palácio do Planalto. A oposição, como se sabe, independe de Temer e seu governo para escolher seus candidatos – seja ele Lula ou qualquer outro da esquerda ou não alinhado com o governo federal – mas os demais estão umbilicalmente ligados a ele. Pois são da base aliada, ou pelo menos parceiros em alguns pontos (o tucanato, principalmente) e ficariam sem plataformas exequíveis para suas campanhas. Mais que nunca a pulga vai se alojar, definitivamente, atrás de muitas orelhas. Pode ser, também, que isso não ocorra, mas os indícios – e neste país indício virou prova concreta – dão conta de que Temer vai, de fato, tentar continuar no Planalto, com sua faixa vampiresca. A conferir.

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