Senso&Consenso

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Pelo sim, pelo não e por outros fatores

Passei os últimos dias, desde o 24 de janeiro, quando o TRF4 julgou o recurso do ex-presidente Lula e, além de confirmar a sentença do juiz Sérgio Moro por unanimidade, até aumentou a pena do líder máximo petista o que, cá entre nós (estejam eles desatados ou não) também era esperado, caçando artigos, análises e opiniões sobre o fato em si e suas consequências. Não vou, porém, entrar no mérito da questão, mesmo por que não li a ação, nem as provas e contraprovas. Muito menos vou fazer juízo de valor se os indícios são suficientemente provas técnicas ou circunstanciais e se uma apresentação em PowerPoint representa de fato o que nela se viu. Minha intenção é tecer alguns comentários sobre tudo o que li (contra, a favor ou nem contra e nem a favor, muito pelo contrário) e tirar uma conclusão.
Difícil mesmo é não “ler” um julgamento dessa natureza pela ótica política. Ou melhor, não politizar o teor jurídico das decisões, pela grandeza que ele representa. E foi a maioria da leitura de analistas, jornalistas, velhas e novas lideranças partidárias de todos os matizes e muitos especialistas da área do direito. Poucos se ativeram às questões estritamente jurídicas e, os que o fizeram, também levaram em conta mais a questão política do que técnica. Quem foi contra (a ação penal e seus resultados) desde o início, continuou contra. Assim como quem foi a favor, comemorou muito a condenação do petista-mor, talvez mais por falta de empatia com Lula e seu partido ou por querer estar na corrente que levou a população às ruas pelo impeachment de outra petista, Dilma Rousseff, mas se negam a enxergar o volume de lama fedorenta que se acumula deste a posse de seu sucessor, Michel Temer (MDB).
Os textos analíticos, todos os que eu li e que não foram poucos, assim como as entrevistas publicadas na mídia impressa e eletrônica, além das opiniões políticas (para não dizer ideológicas e partidárias) convergiram para o próprio centro dos seus autores. Ou seja, contra e a favor. Em contextualização vertical, do ser contra ou a favor. Não me lembro de ter lido nada do ponto de vista didático, de quem enxerga pelo lado de fora sem se preocupar com o lado de dentro, se é que me entendem. Mesmo não sendo apreciador – e muito menos admirador – do jornalista e colunista da Folha de S. Paulo, Reynaldo Azevedo, talvez tenha sido ele o único a discorrer de forma coerente. Tanto com sua ideologia, como com sua opinião. O tempo, com certeza, se encarregará de mostrar o que se espera dele, ou seja, a tempo de se conhecer a razão. Longe de qualquer emoção que nos leve a alguma verdade segura. Tudo o mais é especulação.

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