Senso&Consenso

Quando vai começar o barulho?

No fechar de 2017, utilizei-me deste espaço para fazer uma retrospectiva daquele ano, abordando tudo o que tinha acontecido na política e suas implicações no cenário nacional, numa tentativa de lembrar o silêncio dos muitos que haviam feito barulho em anos anteriores, mas se conformaram com tudo o que aconteceu depois. Um ano em que um presidente da República (Michel Temer, MDB) precisou ir às compras de deputados para não ter seu mandato investigado, e até mesmo ser afastado do cargo, resistindo às denúncias da pior forma possível e mostrando a cara de um governo desgovernado, que se rendeu a um parlamento composto também por investigados e até mesmo condenados.
A intenção do artigo escrito, que não era uma mera pretensão e muito menos utopia juvenil (que cá entre nós não faz mais parte da minha personalidade, mas resiste com todo o ardor), era um chamamento à reflexão sobre os nossos próprios interesses. O porquê a maioria silenciou após os panelaços e recolheu suas bandeiras às gavetas, perante uma situação, aberta e transparente, de desrespeito claro aos princípios republicanos e de um governo que nem enrubesceu ao praticar seus atos de afronta à nossa inteligência e, sem nenhum pudor, com toda a nação brasileira.
O convite ao barulho para 2018 é uma metáfora à necessidade de expormos nosso descontentamento. E isso começa em casa. A lição tem que ser feita e depois de anos a fio de descontrole, está em nossas mãos aquela mudança que sempre faz parte dos nossos votos de ano novo e que invariavelmente acaba sendo esquecida. E o voto é essa mudança. Por na ponta do lápis todos os nomes que fizeram parte dessa barganha. É preciso perceber, de uma vez por todas, que apenas esbravejar pelas redes sociais, criticar nas rodas de bar e fazer discursos inflamados não têm valor nenhum se a postura de cada um não mudar.
Houve um tempo, ainda na transição da ditadura militar para a democracia, que muitos parlamentares deixaram de ser eleitos por terem votado contra os interesses populares. Figurando numa listagem amplamente divulgada pela imprensa, não tiveram seus mandatos renovados e foram jogados ao esquecimento definitivo. Nenhum deles nunca mais voltou à ativa. É preciso não pensar a política sem partidos ou políticos, como muitos querem fazer crer, mas descartar aqueles que entraram, nem que seja com a ponta dos pés, nessa lama.

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