Editorial

Falta vacina. E verdade

Fechar a porteira depois que a boiada escapa é regra geral neste país, onde dificilmente há exceções que consigam contrapor a essa regra. E a demora ou latência em torno da decisão de se vacinar contra a febre amarela é mais um exemplo da indecisão do governo federal, hoje mais preocupado com o quanto de dinheiro tem em caixa para comprar sua cota parlamentar, do que com a saúde dos cidadãos brasileiros. Fechar o cerco contra o vírus, depois que ele já fez muitas vítimas, das quais várias dezenas fatais, mesmo afirmando que não há risco de sua expansão na área urbana é, no mínimo, um contrassenso. Mais um delito contra a saúde pública, já depauperada pela escassez de dinheiro (que sobra ao Parlamento), e que vem no freio do atraso, desde que as primeiras suspeitas e casos apareceram, lá em 2016.
O estado de alerta e o fechamento dos parques públicos em São Paulo e os casos já confirmados em cidades da Grande São Paulo e no Interior paulista são mais que um sintoma dessa falta de atenção. É a sinalização do descaso que toma conta do poder público para com sua principal clientela: a população. As tentativas em tentar reduzir o tamanho do problema, para tranquilizar essa mesma população é só uma cortina de fumaça, para embaçar a realidade, que com certeza é muito mais grave do que se apresenta. E os reflexos são imediatos. Afetam até mesmo as localidades “fora do risco governamental”, como ocorreu em Limeira, que teve falta de doses nesta semana, por que o governo do Estado (que também depende do Federal) não as enviou.
Grandes epidemias começam com a ocultação da verdade. Espera-se que na questão da febre amarela, a verdade esteja de fato sendo dita.

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