Senso & Consenso

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Tem canalha na politicalha

O país vem assistindo no pós-impeachment de Dilma Rousseff (PT) um autoextermínio partidário de fazer gosto a qualquer descolado da política. Esses que gostam de zombar da política (enquanto ciência), confundindo-a com a politicagem que tomou conta do cenário nacional, mas nada fazem para reverter a situação, justamente por creditar à essa política todas as mazelas nacionais. Mais uma vez, por desconhecimento e na maioria das vezes por ignorância mesmo, pois não conseguem distinguir os dois casos relatados acima. Mais do que os próprios políticos, que estão enfiando pelo ralo o orgulho dos brasileiros, essa parcela de não praticantes que gostam de dar palpites tem responsabilidade direta no caos. E uma responsabilidade muito maior do que qualquer outro cidadão, que gosta da política, mas fica à mercê da opinião improdutiva dessa turba, que sequer sabe separar alhos de bugalhos.
Vê-se, lê-se muito de tudo isso nas redes sociais, que quer queiram ou não os mais tradicionalistas, é um vasto campo de concentração de ideias, que se difundem velozmente sem qualquer tipo de filtro. Ótimo para a democracia e à liberdade de expressão, mas péssimo para a prática dos princípios republicanos, pois contribui para o acirramento do populismo e surgimento de novas lideranças, que já nascem velhas por suas próprias ideias. Os bolsonaristas são o melhor exemplo dessa plêiade, que vai pelo caminho fácil do simplismo sem se importar com as consequências que isso pode trazer lá na frente. Assim como o lulopetismo, hoje bastante desgastado e, da mesma forma, os tucanos que não se decidem entre o ir e vir; o ficar ou sair, criando um extenso muro de lamentações, que hoje não engana mais ninguém. Enfim, os tempos atuais têm sido duros com os partidos, que se perdem em suas próprias estratégias e, em vez de se distanciarem do abismo estão dando o passo final para uma queda inevitável. Isso não é bom para a política (a ciência), pois esse descontrole leva justamente à politicagem que estamos assistindo nesses tempos difíceis de intolerância, ódio e preconceitos mil.
Enquanto algumas siglas partidárias caminham rápido para o autoextermínio, o que há de pior nos quadros que resistem (passam longe da ética e são desprovidos de ideologia) ganham força desproporcional. A balança se desequilibra e o interesse coletivo é deixado de lado. Nessa estrutura, enquadram-se o atual status de poder e os partidos satélites que gravitam ao seu redor. Um centrão despudorado e demais legendas de aluguel, que veem no poder apenas os interesses de seus mandatários. Verdadeiras quadrilhas alojadas no Planalto Central, que diariamente nos brindam com suas canalhices.

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