MARIO BOTION: Viaduto e aeroporto saem em 2018

MARIO BOTION: Viaduto e aeroporto saem em 2018

Antonio Claudio Bontorim
Danilo Janine
LIMEIRA
redacao@tribunadelimeira.com.br

“Nem que seja a fórceps, vamos fazer”. Assim o prefeito Mario Botion (PSD) se referiu à obra do novo viaduto na Avenida Lauro Correa da Silva, sobre rotatória da Barroca Funda que, segundo ele, é uma necessidade. Em entrevista à Tribuna de Limeira, na última quarta-feira, 27, fazendo um balanço do primeiro ano de seu mandato e os desafios para 2018, Botion falou das dificuldades encontradas e das soluções que usou para não perder o controle da situação financeira do município. A continuidade do novo aeroporto com o qual ele disse estar otimista, pelo menos para concluir o restante da pista, fechar a área e depois entregá-lo, através de concessão, para a iniciativa privada. Um problema que incomodou bastante, segundo Botion, foi a questão do transporte coletivo, que ele próprio definiu não como uma questão negativa da administração, “mas algo que nós esperávamos que fosse de maneira diferente e não como aconteceu”, lembrou. Mesmo assim ele contou que a proposta é melhorar o sistema com um novo modelo de gestão.
Segundo ele, apesar de a crise ter sido mais longa do que as outras pelas quais o país atravessou, foi possível fazer alguma coisa prática, como a zeladoria do município, o início da informatização da saúde e levar assistência social à zona rural. “Internamente, e não aparece para o público porque não são divulgadas, melhoramos os procedimentos, encurtando processos para tornar as coisas mais ágeis, onde tudo é demorado”, comemorou.
Botion disse também que seu porcentual de realizações nesse primeiro ano foi de algo em torno 60% do que planejou. “Está de bom tamanho”, comemorou, sem se esquecer dos problemas mais sérios, como o caso dos precatórios, que caiu no “colo do governo” com mais de R$ 300 milhões, mas que segundo ele está sendo resolvido. “Cada armário que a gente abria caia um esqueleto. E, às vezes, um ossuário inteiro”, brincou. Quando questionado sobre o que foi pior, se as questões envolvendo os transporte público ou as dívidas em precatórios, o prefeito não titubeou em afirmar que foram os precatórios. “Com os ônibus, de um jeito ou de outro, nós iríamos mudar mesmo, através de um novo modelo de gestão, mas não esperávamos e nem queríamos fazer a intervenção. Os precatórios têm que pagar e ponto”, afirmou.

MIGUEL LOMBARDI
Apesar de só fechar o ano financeiro de 2017 apenas em janeiro do ano que vem, conforme faculta a lei, Botion disse que termina o primeiro mandato com as contas equilibradas. “Recebemos um caixa financeiro negativo em R$ 33 milhões, mas acredito que esse numerário será menor ao fecharmos 2017 e finalizarmos o balanço”, comentou. Botion destacou ainda a importância do deputado federal Miguel Lombardi (PR), não só para o seu governo, mas também para os dois últimos anos de seu antecessor. “Ter um deputado em Brasília abre mais portas que imaginamos. E nesse sentido o Miguel tem sido bastante ativo, com as emendas destinadas à saúde e, agora, nas tratativas das obras do novo viaduto e também do aeroporto”, enfatizou.
Questionado sobre a perda do segundo secretário de Saúde no mesmo ano, o prefeito disse que lamentou a saída de Gerson Hansen Martins, para ele um profissional competente, tanto na medicina quanto na gestão pública e falou sobre o fato de ele não concordar com as respostas da prefeitura, mas que entendia a sua postura, pela sua ética e idoneidade. Apesar de não citar nomes, Botion falou que já fez algumas consultas (para o novo secretário), mas quer resolver essa questão com tranquilidade e, com isso, o novo secretário da Saúde deve ser conhecido só no ano que vem, com um perfil técnico, que pode ser um médico ou um administrador. Ele descartou a possibilidade de seu vice, Dr. Júlio, assumir a pasta. “Já conversamos várias vezes, ele me passou as razões para não aceitar, isso mesmo antes de tomarmos posse na prefeitura”, explicou.
Com os sinais positivos da economia em ascensão, ele espera um 2018 mais tranquilo, para concretização das obras planejadas e, também para novos investimentos para Limeira. Para ele, o grande desafio é trazer prosperidade, que vem só com o desenvolvimento. “Nós tivemos um ano, dentro das circunstâncias, relativamente bom e o ano que vem será melhor ainda”.
Confira os principais trechos da entrevista.

Tribuna de Limeira: Prefeito, gostaríamos de saber o que o senhor viu de positivo e de negativo neste ano de 2017?
Mario Botion: Eu não diria lado negativo, mas algo que nós esperávamos que fosse da maneira diferente foi a questão do transporte coletivo. Não é negativo, porque é uma atividade que está aí, precisa ser melhorada, está no nosso plano de governo a mudança do modelo de gestão e isso nós faríamos e vamos fazer, mas a expectativa é que fosse menos traumática. Então, isso foi algo que mudou um pouco o rumo das coisas, tomar aquela atitude firme, mexer num segmento que tem um histórico complicado no país afora e isso envolve questões pessoais, preocupações, mas, mais que é intervir e fazer a gestão de algo que não é nosso, mas enquanto estiver sobre intervenção é nossa sim. Fazer funcionar, e funcionar melhor e com todas as limitações, nós conseguimos isso, pouca coisa, mas conseguimos. Nas demais questões, com todos os problemas que a economia do país nos trouxe, e Limeira não é diferente, mas essa crise tem algo de peculiar. O tempo de duração foi maior. As mais recentes, da era Sarney (José, ex-presidente da República), Collor (Fernando, ex-presidente da República), foram de curta duração. Essa nós passamos três anos com bastante intensidade. Encolhimento do PIB (Produto Interno Bruto). Então, isso trouxe vários problemas e, apesar disso, no final de um ano, eu digo que estamos satisfeitos daquilo que conseguimos produzir com as limitações que nós tivemos em todos os aspectos. Tivemos alguns avanços na saúde, no serviço de zeladoria, no esporte avançamos um pouco e várias outras positivas. E também tivemos as internas, e essas não aparecem, porque não são divulgadas, que é de melhorar procedimentos, encurtar processos para tornar as coisas mais ágeis, onde tudo é demorado. Porque existem procedimentos e existem culturas. E mudar a cultura das pessoas é complicado e não é em um ano que vamos fazer isso. Mas é uma sementinha.

Tribuna: Dá para mensurar isso em porcentual. Quanto o senhor acha que avançou? O que conseguiu fazer nesse primeiro ano?
Botion: Eu diria que 60% da expectativa de primeiro ano de mandato está de bom tamanho. Com as dificuldades todas, apesar da dificuldade em falar em números, conseguimos dar início a vários itens que estão em nosso plano de governo. Trabalhar nele (plano de governo) como sendo regra mesmo. Uma direção. A informatização na área da saúde, levamos o Serviço Social para a zona rural, aumentamos o atendimento na área de esporte, mas mesmo assim é difícil falar em um número, como 50%, 60% ou 70%, mas eu digo que é positivo na medida em que, apesar dos problemas, nós conseguimos avançar em algumas áreas e esses avanços estão dentro dessa perspectiva de olhar o plano de governo. E outras questões que caíram no nosso colo. Cada armário que você abre cai um esqueleto. Às vezes vem um ossuário inteiro.

Tribuna: Quais seriam esses esqueletos e o ossuário?
Botion: Os precatórios estão aí e tem que pagar. Até 2020 tem que ser pago. Agora foi aprovado no Senado, mas depende da sanção presidencial, mais quatro anos de prazo. Era uma dívida que estava controlada, cerca de R$ 30 milhões em precatórios que o município tinha e vinha fazendo os aportes, que é o porcentual da receita corrente líquida, que depositamos no TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo), que é quem paga. E aí entraram mais R$ 126 milhões, que não é para se discutir, recorrer, nada disso. É para pagar mesmo. E não tem negociação, uma vez que são qualquer ação que uma empresa ou um munícipe entrou contra o município, independente do motivo. Foi julgado, transitou em julgado e então tem que pagar e o credor entra na fila. Em paralelo a isso também veio a do Santander (banco), com mais R$ 260 milhões, e vai entrar no precatório. Mas não, pois a dívida do Santander tinha como garantia o ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). Se não pagar, não interessa, pois a garantia está lá. Aliás, o banco entrou com uma execução e nós estamos tratando disso.

Tribuna: O senhor já falou, e mais de uma vez, que a questão do ônibus não era esperada dessa forma, que foi um susto, e a dos precatórios também. O que foi pior, o precatório o ônibus?
Botion: Com certeza a questão dos precatórios. O problema do ônibus, de um jeito ou do outro, nós iríamos mudar mesmo, através de um novo modelo de gestão que queremos instituir e é lógico que não era algo que esperávamos e quiséssemos fazer, que era a intervenção. Os precatórios e essa dívida com o Santander são bem piores. Porque caiu R$ 126 milhões no seu colo, tem que pagar. Não interessa se tem orçamento ou não. E o que era para pagar em três anos, agora teremos sete anos. Divide os R$ 126 milhões por sete, é o que temos que pagar por ano desse precatório, em torno de R$ 18 milhões. Tem alguma coisa para fazer negociação com metade da dívida do precatório sendo paga na ordem cronológica e o restante você pode negociar com deságio de até 40%, o que seria um bom negócio se tivéssemos recursos para pagar. O que não temos.

Tribuna: Baseado no que senhor vinha falando, sua preocupação com a situação econômica, que pudesse até causar atrasos em pagamentos da prefeitura, inclusive salariais, o que não aconteceu, como o senhor conseguiu driblar o problema, mantendo salários em dia e a cidade cuidada?
Botion: É gestão. Cada secretaria cumpriu seus compromissos, teve as suas metas de enxugamento, aperto, para poder chegar e pagar os salários dos funcionários. Tivemos que negociar com alguns fornecedores, mas os salários procuramos manter em dia, pagando o 13º e o provisionamento da folha (de pagamento) está feito. Quando falei que poderia haver alguma situação desconfortável, poderia mesmo. A nossa receita do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), que é o pacote maior, descontando-se a inflação do período ela cresceu 1,09%, que é a maior receita dos pacotes individuais, cerca de R$ 160 milhões. No IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores), 0,95%. As receitas não cresceram. Onde a receita cresceu um pouco? Ai foi o trabalho que nós fizemos, quando a gente fala de gestão, no recebimento da dívida ativa, que aumentamos em relação aos anos anteriores em torno de 33%, fruto de uma decisão que tomamos de não fazer Refis e anistia. Analisamos os números passados, o que tinha acontecido, e mesmo com anistias a inadimplência não melhorou. Em função disso, tomamos a decisão de fazer algo diferente, aumentamos o parcelamento em até 120 prestações, criamos a possibilidade de reparcelar o que já foi parcelado e não pagam e juntamente com um trabalho de tele cobrança e campanhas com relação aos serviços e a importância do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), conseguimos aumentar a arrecadação em até 31% na dívida ativa, já descontada a inflação. Isso é algo que também fez parte desse contexto de poder chegar ao final do ano e conseguir arcar com nossos compromissos.

Tribuna: Isso em relação ao ano anterior?
Botion: Isso. Com a dívida ativa nós arrecadamos este ano, até agora, quase R$ 28 milhões. Em relação aos anos anteriores, sem descontar a inflação, deu quase 34% de aumento, como disse anteriormente. O IPTU, tirando a inflação houve um aumento de 9% na arrecadação, e isso é fruto de um trabalho que vem sendo feito, e a zeladoria faz parte desse processo. A pessoa olha a cidade bem cuidada e lembra que o imposto é para isso mesmo, entre outras ações. Se a gente não tivesse as torneiras abertas Brasil afora, nós teríamos muito mais recursos e serviços de qualidade. Isso é significativo. Em relação ao ISSQN (Imposto Sobre Serviço de Qualquer Natureza), esse nós tivemos um acréscimo, descontada a inflação, só de 3,7%. E aí a gente olha o peso da crise dentro desse segmento, que é a prestação de serviços e fica nítido que houve um encolhimento, dentro do crescimento dos custos da administração, desde o aumento do funcionalismo até o dia a dia, que é o custo operacional.

Tribuna: Entre receita e despesas, como a Prefeitura de Limeira termina 2017?
Botion: Por incrível que pareça, nós estamos há dois dias para terminar o ano, a questão dos empenhos que não foram usados, os cancelamentos, as notas que ainda vão ser lançadas, que a legislação permite sejam feitas até 19 de janeiro do ano que vem, para fechar o ano. Nós vamos passar o ano mais ou menos equilibrado, não muito diferente daquilo que recebemos. Agora, estou falando de condição de caixa financeiro, que é um pouco diferente do orçamentário. Recebemos um caixa financeiro negativo em R$ 33 milhões. Então, esse número tende a ser um pouco menor, mas a questão orçamentária ainda não fechou, devido ao período que temos para fazer os cancelamentos de empenhos que foram feitos ao longo do ano e não foram utilizados e também do lançamento de notas, o que nos dará um número mais exato, apenas no dia 19 de janeiro. A gente espera fazer isso antes, mas no limite de 19 de janeiro, e com um caixa menos negativo do que pegamos.

Tribuna: Prefeito, agora falando de economia, o senhor espera que em 2018 a situação da prefeitura mude muito, melhore?
Botion: Há alguns sinais que a economia vem mostrando que são positivos. Não que ela esteja saindo do fundo e vai subir repentinamente. Mas, numa visão minha, ela já estabilizou e está dando sinais de consistência. E nós temos aqui, em Limeira, um Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) positivo, que vem crescendo mês a mês. Em outubro tivemos 2,3 mil empregos, num país que tem 13 milhões de desempregados é quase nada, mas para nossa realidade, onde você percebe que a taxa de desemprego parou de cair, isso dá alento para que o ano venha com menos intranquilidade. A economia deve fechar em 1% de crescimento e a expectativa dos economistas é entre 2% e 2,5% e isso vai refletir em nossa arrecadação. Disso não tenho dúvida.

Tribuna: Vai ser um ano mais tranquilo para a prefeitura, então?
Botion: Eu acho que deve ser um ano no qual a arrecadação pode melhorar um pouco para fazer frente aos custos da manutenção da máquina. E o que tem completado nossa arrecadação, não só na minha gestão, mas nos dois anos da gestão passada, é o trabalho do deputado Miguel Lombardi (PR). Isso é público e notório. A diferença que faz a gente ter um deputado eleito, a diferença que tem feito para o município a presença de Lombardi em Brasília. Seja com verbas diretas, com emendas, ou seja, viabilizando programas e financiamentos, sendo um facilitador para a prefeitura, para empresários, abrindo portas mesmo. Isso tem sido muito positivo. E em especial na complementação dos recursos, é fundamental.

Tribuna: O senhor está com trânsito bom também junto ao governo do Estado, inclusive conseguindo algumas coisas. O senhor acha que 2018, ano eleitoral, isso pode melhorar, inclusive com mais verbas de Brasília também?
Botion: Ano de eleição a gente tem que aproveitar as oportunidades. A gente acabou criando uma aproximação, até interessante, com o governo do Estado e espero que no ano que vem isso se transforme em fatos concretos. E no governo federal têm várias questões que estão andando e uma delas é o convênio para retomada das obras do aeroporto. O Miguel (Lombardi, deputado federal) conseguiu avançar na SAC (Secretaria de Aviação Comercial) e está acordado e apalavrado com o ministro dos Transportes (Maurício Quintella, também do PR) e no início do ano que vem já deve ser assinado, quando será liberada uma verba de R$ 8 milhões para essa retomada, para completar uma etapa das obras que nos permita, aí sim, abrir um processo de concessão e passar para a iniciativa privada, para acabar de fazer os investimentos, fazer a operação, conforme as regras de mercado.

Tribuna: O próprio Miguel Lombardi comentou conosco que está muito confiante em conseguir três parcelas de R$ 8 milhões.
Botion: O que é concreto e já é fato, é uma parcela nesse convênio, mas ele tem um compromisso do ministro que sejam de fato essas três parcelas. E as obras com certeza serão retomadas em 2018, mas porque é dinheiro do governo federal. Dinheiro na prefeitura para isso nós não temos e, mesmo que tivéssemos, eu acho que aeroporto é uma obra na qual o município não tem que colocar recursos. Aeroporto é coisa para ser explorada pela iniciativa privada. E, quando eu era vereador, eu até falei para o Sílvio (Félix, PDT, ex-prefeito), quando ele foi pedir um aumento de verba para investir no aeroporto: ‘Sílvio coloca isso num processo de privatização e ver o que dá. E se não aparecer interessado, transforma aquilo no parque ecológico para o município’.

Tribuna: Já tem alguma negociação com a iniciativa privada nesse sentido?
Botion
: Não, não. Tem consultas. Mesmo como vínhamos falando desde a campanha, a intenção de retomar o processo e conceder à iniciativa privada, já apareceram, sim, algumas consultas (de interessados). Mas não temos tratativa nenhuma ainda, até por que esse é um processo licitatório. Porém, posso adiantar que tem mercado para isso. Há grupos interessados. O que essa etapa que colocamos no papel e encaminhamos para a SAC, é o fechamento da área, a conclusão da pista na extensão que está lá, com capacidade para aumentar um pouco mais, mas vamos concluir o que está começado, fazer os dois trechos de taxiamento e pátio de estacionamento das aeronaves. É isso que está contemplado no orçamento. A partir daí é que nós pretendemos fazer um termo de referência e conceder. Concessão significa fazer hangares, por exemplo, e aí a ela vem do jeito que o mercado entender. Para que serve esse aeroporto? Vai ser um aeroporto de passageiro, provavelmente não. Vai ser um aeroporto comercial. O de Americana está lotado; o dos Amarais (em Campinas) foi concedido recentemente; o de Jundiaí também foi concedido e está lotado. As propostas é que vão dizer em que contexto o aeroporto vai ter que ser construído.

Tribuna: No processo de licitação, o senhor vai pedir que sejam feitos investimentos de infraestrutura na região do aeroporto, como o alargamento de estradas, por exemplo?
Botion: Isso vai fazer parte do processo (licitatório). Tem a vias de acesso, com encaixe na rodovia (Engenheiro João Tosello – SP-147, que liga Limeira a Mogi Mirim), que agora vai ser duplicada e as obras complementares têm que fazer parte da concessão. Não dá para conceder o lugar fechado e depois ficar com essas responsabilidades. Certamente terá a participação do município. Não tem como não participar, mas o grosso ficará dentro desse processo de concessão.

Tribuna: Prefeito, falando ainda sobre obras, no início de seu governo, o senhor falou de pelo menos duas grandes obras para a cidade. O viaduto na rotatória da Barroca Funda, na Avenida Lauro Correa, e a acessibilidade do Edifício Prada, com um elevador para melhorar o acesso ao pavimento superior do prédio. As duas saem em 2018?
Botion: Eu diria que a segunda, a acessibilidade do Prada, sai mais rápido. E nesse sentido tem um projeto que o pessoal do Urbanismo (Secretaria) desenvolveu neste ano, não só do elevador em si, que a gente até abriu um procedimento para sua aquisição, mas tiramos um pouco o pé, porque percebemos que têm outras obras a serem feitas, mudanças de layout das secretarias, principalmente, as que estão no andar superior. Fizemos um projeto muito maior, que vai um pouco além do que somente o elevador. Dentro disso, com a extinção do SAAE (Serviço Autônomo de Água e Esgotos), vamos fazer um remanejamento do arquivo do Urbanismo, que pode descer onde era o SAAE e uma série de outras ações, que no próximo ano vamos programar. Tudo isso, elevador, rampas de acesso, ainda sem contar com as outras mudanças, como os layouts, climatização de algumas secretarias, ficaria em torno de R$ 250 mil. Mas queremos fazer toda uma mudança de layout, que nesse projeto maior está contemplado, mas não está orçado ainda, mudar o Protocolo, projeto de um auditório, tem toda uma mudança interna que depende de recursos, mas a acessibilidade vamos deixar em ordem, iniciando ainda no primeiro semestre de 2018.

Tribuna: E com relação ao viaduto na Lauro Correa?
Botion: Nem que seja a fórceps, vamos ter que fazer isso. Não é porque eu quero, mas porque a cidade precisa. Ela cresceu para a Zona Sul e o vetor de crescimento continua para lá e a maioria dos empreendimentos que estão em processo de viabilidade e outros, que estão em processo de análise de projetos, já com viabilidade dada, estão para aquela região. É imperativo que o viaduto saia. E eu tenho convicção que nos primeiros seis meses do ano a gente consiga viabilizar o financiamento. Não é recurso a fundo perdido, financiamento há em disponibilidade no governo federal. A Caixa Econômica (Federal, banco) tem uma disponibilidade de recursos para serem pagos em 20 anos, com juros de 1% ao mês, mas é pagável, dentro da realidade e Limeira tem uma nota muito boa na capacidade de financiamento.

Tribuna: Sobre essa questão, o Miguel Lombardi também abriu para a gente, disse que está muito confiante e acha que em 2018, inclusive, dê para começar a obra.
Botion: Nosso desafio é começar mesmo. Iniciar o processo licitatório, nós temos o orçamento prévio, que precisa de alguns complementos, mas a expectativa é que consigamos colocar esse processo na rua ao longo do ano que vem. Nós olhamos os projetos que já estavam prontos, antes de contratar um novo, que eram lindos e maravilhosos, mas fora do momento. Fizemos um enxugamento na estrutura, para estrutura metálica, tiramos uma ponte estaiada, um verdadeiro cartão postal, mas vamos fazer aquilo que precisa ser feito e não significa que não será um viaduto bonito, bem cuidado, com faixa de pedestre de um lado e uma ciclofaixa do outro. Tecnicamente como manda o figurino, mas numa estrutura mais compacta, cujo custo deve chegar a R$ 50 milhões, com o projeto que está contratado. E podemos utilizar o financiamento, inclusive, com alguns programas do governo federal, como o Avançar Cidades, do Ministério das Cidades, que serve para várias questões de mobilidade, inclusive para obras de arte.

Tribuna: Prefeito, quando o senhor fala em financiamento, significa que a prefeitura terá que pagar esse valor posteriormente?
Botion: Sim. Você financia, executa e depois paga. Dependendo do tipo de financiamento, você tem carência entre 3 a 4 anos, com 18 a 20 anos para pagar, o que é perfeitamente pagável e não vai endividar o município a ponto de ficar insolvente. Cabe no orçamento tranquilamente.

Tribuna: Prefeito, o senhor tem alguma outra obra que considere importante e quer executá-la ainda dentro de seu mandato?
Botion: Eu diria que as outras obras vem aí com ajuda do Miguel (Lombardi deputado), as quatro UBSs (Unidades Básicas de Saúde), por exemplo, têm emendas do deputado, por volta de R$ 500 mil, sendo que uma unidade custa mais de R$ 1 milhão e o restante o município tem que por (pagar). Estamos no processo licitatório para construir a do Rubi (Residencial); no primeiro semestre lançamos o processo licitatório para a do Campo Belo e as outras duas, vamos deixar a parte burocrática e os projetos prontos, mas só deveremos lançar em 2019. Tem ainda outras cinco UBSs que iremos reformar, que são Nossa Senhora das Dores, Jardim Planalto, Aeroporto, Nova Europa e Cecap, que já temos os recursos disponíveis, também em emendas, e os processos já estão em andamento e tem outras três que já estão na rua, que são as do Jardim Novo Horizonte, Nova Limeira e Nova Suíssa, cujos processos já estão caminhando. Se pensarmos no futuro tem muitas coisas que Limeira precisa, mas a realidade nos permite trabalhar com o que temos para hoje. Tem ainda um centro de iniciação esportiva, também é um programa do governo federal, com financiamento da Caixa, uma emenda do Miguel e mais uma contrapartida do município, cujo valor chega a R$ 6 milhões. Está caminhando, seria no Lagoa Nova, mas como não está concretizado, não dá para falar na certeza. Mas estamos na expectativa que avance e se concretize. Trata-se de um centro de iniciação esportiva com piscina, quadras, raias de atletismo, mas é bem interessante. É uma possibilidade, mas ainda não é um fato concreto.

Tribuna: Já que estamos falando bastante da área da saúde, já tem o secretário para 2018? Algum nome com quem já tenha conversado?
Botion: Ainda não. Temos algumas tratativas. Como eu disse, nós ficamos entristecidos com saída do Gerson (Hansen Martins), mas temos que respeitar. Ele disse que deveria sair em função do que aconteceu, das respostas que enviamos à CPI da Saúde, que respondemos e encaminhamos os documentos em cima do que a própria comissão pediu. Ele entendeu que nós dissemos que não existia déficit e nós dissemos que não existia déficit no sentido de desvio, de malversação de dinheiro público. Mas houve um débito, ele é concreto e eu não acabei de pagar ainda. Nós fechamos o ano devendo quase R$ 10 milhões à Santa Casa, desde novembro e dezembro de 2016. Em janeiro pagamos R$ 1 milhão e ficamos devendo mais R$ 1 milhão. Se tudo correr bem, nós terminaremos de pagar essa semana (última semana de dezembro de 2017). Também com verba de R$ 1,8 milhão, que o Miguel (Lombardi, deputado) colocou na saúde, para custeio. Já pagamos uma parte com recurso que veio da Câmara, que o Zé da Mix (PSD, presidente da Câmara) devolveu em agosto, cerca de R$ 2 milhões. Então existe um débito com a Santa Casa, que a administração passada deixou. O Gerson ficou meio chateado com os termos que foram usados nas respostas e o termo déficit, acredito, não tenha sido o mais adequado, mas sim, um débito na movimentação entre contas, que as portarias do Ministério da Saúde não permitem. E tem resposta próprio ministério à CPI.

Tribuna: Isso não pode trazer problemas para o senhor?
Botion: Seria a maior tranquilidade eu apoiar a abertura da CPI, porque iria atingir o meu antecessor. A administração passada.

Tribuna: Mas o Ministério da Saúde pode entender que houve problemas na gestão municipal da saúde e cortar verbas ao município por causa do resultado da CPI?
Botion: Pode, se ele entender que houve problemas que não foram sanados, coisa que nós fizemos, nós recompusemos as contas que estavam abertas com dinheiro nosso, do próprio tesouro municipal, então não há muito que se falar daqui para frente. Nós sanamos os problemas. Daqui para trás, quem fez, certamente vai responder para o Tribunal de Contas e também para o Ministério da Saúde. Eu poderia, na época da CPI, chegar à Câmara e apoiar sua abertura e deixar a coisa rolar, mas não foi assim. Uma vez que todos os documentos disponíveis para fazer a fiscalização estavam à disposição da Comissão de Saúde. Não deixamos de mandar nenhum documento. Mas houve entendimento de que deveria abrir a CPI, eu fui contra, mas quem decidiu foi a Câmara e chegou nesse momento. Infelizmente, o Gerson (Hansen Martins, ex-secretário de Saúde), que é um profissional de primeira qualidade, competente na área médica e também da gestão, que ele conhece quase tudo e de uma idoneidade a toda prova, saiu. Fico agradecido a ele pelo trabalho que fez, fiquei chateado com sua saída, mas agora, com calma e tranquilidade, estamos fazendo algumas sondagens e no momento oportuno estaremos anunciando o novo secretário, que ainda não chegamos ao perfil, que pode ser um médico ou não. Pode ser um administrador também.

Tribuna: E o vice-prefeito, Dr. Júlio?
Botion: Foi um convite que eu já havia feito a ele, antes mesmo de assumirmos a prefeitura e ele apresentou os motivos pelos quais ele não poderia aceitar. Não que não gostaria, mas por questões de conflito de interesse, por ser dono de clínica (médica), que por sua vez é fiscalizada pela Visa (Vigilância à Saúde), que responde à Secretaria da Saúde. É nome descartado. Mesmo com a saída do primeiro secretário, o Luiz Ricardo Menezes Bastos, voltamos a conversar e ele apresentou os mesmos motivos.

Tribuna: Qual é o grande desafio do governo Mario Botion para 2018. Continuará sendo a questão econômica?
Botion: O grande desafio é trazer prosperidade para os nossos cidadãos. E isso vem com o desenvolvimento. Sem desenvolvimento não há prosperidade. Com desenvolvimentos temos a geração de emprego e renda. E investimentos, como esse que vem para Limeira, de mais de RS 1 bilhão, que vai sair do papel porque é um desejo dos proprietários da área da antiga União. Não é o município que está fazendo algo, para colocar uma PPP (Parceria Público Privada). É o empreendedor, que é dono da área há mais de dez anos, que decidiu fazer um investimento na sua área, que também é o seu negócio. E ele encontrou da nossa parte a receptividade que esperava para desenvolver o seu projeto. O grande desafio e o desenvolvimento, mas é claro que tem outras questões também na área da saúde, da própria zeladoria, que precisamos melhorar. Na educação tem desafios, que são permanentes. Em 2018 vamos zerar vagas no Maternal 1 e Maternal 2, vão ficar ainda abertas as vagas para Berçário 1 e Berçário 2. Avançamos em todo o planejamento que a secretaria fez de gestão interna. Em todas as áreas temos muitos desafios a serem enfrentados. Mas muito motivados. Nós tivemos um ano, dentro das circunstâncias, relativamente bom e o ano que vem será melhor ainda.

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