Senso & Consenso

Senso & Consenso

Luz e treva. E o livre arbítrio

Assiste-se, novamente, a um debate que beira ao extremo da irracionalidade. Da ignorância por parte de uma parcela de seres manipulados por sentimentos religiosos e corporativos que beiram a sarjeta e teimam em querer legislar sobre o direito ao livre arbítrio, garantido constitucionalmente. Quer queiram ou não esses senhores da mais ilibada moral (se é que conhecem o verdadeiro significado dessa expressão), eles estão prestando um desserviço à saúde pública e, de bandeja, à criminalidade exposta no hediondo ato do estupro. Estou falando dos 18 deputados que discutem a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) 181, que trata da criminalização do aborto em qualquer circunstância. Mesmo nas hipóteses já previstas em lei, que são o risco à vida da mãe; quando é resultado de estupro e se o feto for anencéfalo. Mais que desrespeito à condição da mulher enquanto ser humano, cidadã e ao direito à livre escolha, esses deputados estão chutando a ética em nome de não se sabe o que e nem para o que serve tal interpretação da legislação. Um abuso que pode incentivar a perversidade em vez da dignidade.
Não há direito à vida, quando ela é tratada dessa forma porque alguns segmentos da sociedade querem controlar até mesmo o que deve e o que não deve ser proibido. Nesse caso criminalizado. Como podem, esses senhores defender tal proposta que nos remete a mais pura insensibilidade? E, também, àqueles que, movidos por suas crenças religiosas emitem opiniões insanas se sem propósitos factíveis, vociferando em nome de Deus ou qualquer outra entidade, que a mulher estuprada, que pode morrer no parto ou até dar á luz a um bebê que irá morrer nas próximas horas, é obrigada a concluir sua gestação, senão será considerada criminosa.
A sociedade como um todo diz o bom senso, deve repudiar tal proposta e não permitir que isso seja aprovado. E seria interessante lembrar àqueles que defendem essa insanidade explícita, que eles também têm esposas, filhas, irmãs e que podem ser vítimas dessas situações. Será que teriam coragem de encará-las com a devida tranquilidade e dignidade que tanto gostam de defender? Eu tenho minhas dúvidas. Ou melhor, tenho todas as certezas. Felizmente, há uma série de eventos e de movimentos que caminham no sentido de não permitir que isso aconteça. Mas é preciso estar atento e de olhos bem abertos, porque tem muita gente querendo trocar a Constituição Federal pela bíblia. O Estado não pode e nem deve pensar com a bíblia na mão. Principalmente, quando se trata da preservação dos direitos fundamentais da pessoa humana.

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