O devido exemplo

O devido exemplo

O episódio envolvendo o chefe de gabinete de Comunicação Social do prefeito João Dória (PSDB) na cidade de São Paulo, Lucas Tavares, o segundo na hierarquia da comunicação na administração tucana da capital paulista, é um exemplo clássico de como um profissional da área não deve agir. Pego em gravações afirmando que iria dificultar ao máximo a vida dos jornalistas, na busca por informações, mesmo aquelas solicitadas via Lei de Acesso à Informação, Tavares acabou demitido pelo próprio prefeito, muito mais pelas repercussões negativas, do que propriamente pela sua ação, com certeza com o aval do próprio Dória, que adora um marketing pessoal, mas é avesso às verdades sobre seu governo.
Mais que o simbolismo da demissão do segundo homem da comunicação da prefeitura paulistana, o que vale mesmo é o debate em torno da transparência na administração pública. Transparência muitas vezes banalizada por profissionais que pouco entendem do assunto e, a exemplo de Tavares, decidem que o ato de não divulgar um fato qualquer, pode levá-lo ao esquecimento e, dessa forma, não precisaria prestar contas. Engana-se quem pensa dessa forma. Não há nada mais pernicioso na administração pública, do que esconder e até mesmo tentar escamotear uma informação na tentativa de preservar o agente público (político) da crítica. O que precisa ficar claro é que a informação, quando de interesse público, não pode ficar na cabeça de meia dúzia de pessoas, com o poder de julgar se ela deve ou não ser divulgada. Pois é pública e, como o próprio nome diz, deve vir à luz pela sua própria publicidade. Na transparência não há erro possível.

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