Senso & Consenso

Senso & Consenso

Um simplismo inconsequente

Política, futebol e religião não se discutem. A máxima, conhecida dos brasileiros, quando o assunto envolve esses três temas, que trata da preferência das pessoas pelas escolhas que fazem, está perdendo a força. Discute-se, sim. E até mesmo pode levar a extremos nada recomendáveis de intolerância nas relações humanas, como já acontece. Na política, os protagonistas dos debates estão longe do razoável, e beira a inconsequência e o atavismo de seus interlocutores, que trazem sempre argumentos simplistas para questões complexas. No futebol, a falta de vontade política e a inoperância das autoridades em conter os bandidos travestidos de torcedores, proíbem torcidas em determinados jogos, em vez de agir com coerência e impedir a bandidagem – identificada – em frequentar os estádios de futebol. É o simplismo mais uma vez.
E na religião? As questões são mais ou menos parecidas. Temos personagens, porém, não temos mais o protagonismo de décadas atrás. Que pertencia aos católicos, com mais de 90% da população brasileira e hoje se resumem a pouco mais de 50% – entre 52% e 55% – o total de pessoas que seguem ou são fieis a alguma religião. Os evangélicos vêm crescendo, assim como ateus e agnósticos, e já há previsão para que esses porcentuais se invertam nas próximas décadas. Por que essa análise e esse diagnóstico? Explico. Mais uma vez, a intolerância religiosa ficou bem clara na atitude de alguns vereadores limeirenses, que não quiseram se deixar fotografar ao lado do bispo Diocesano de Limeira, conforme mostrou essa Tribuna em sua edição passada, por “convicções” religiosas e até mesmo usando desculpas esfarrapadas, que denotam ignorância, além de uma grandessíssima falta de educação. Particularmente, não sou favorável a imagens religiosas em repartições públicas (mais um resquício da ditadura e da então supremacia católica no país), justamente porque são públicas e recebem pessoas de todos os credos religiosos. Como também sou contra retratinhos de autoridades nas paredes dessas mesmas repartições.
Então, guarda-se a imagem e a devoção de forma particular e não expressa publicamente, a não ser, é evidente, nos próprios ambientes eclesiásticos. A doação da imagem de Nossa Senhora Aparecida à Câmara pela autoridade católica máxima limeirense foi um rito protocolar, obedece a uma comemoração oficial da Igreja Católica e vai além dos desígnios da fé. E cabe a quem recebeu o presente, zelar, de maneira também protocolar, pela sua integridade. Todo alvoroço criado pela foto é uma demonstração clara de que muita gente ainda não sabe lidar com a diversidade. Isto, sim, é um grande perigo.

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