Senso & Consenso

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Não há nada mais danoso, hoje, que uma informação passada de forma incorreta ou tendenciosa. E não é preciso ir muito longe para observar os perigos que dela advém, quando se vê pessoas despreparadas, inescrupulosas e, principalmente, inocentes, que são úteis e se deixam fazer de úteis a propósitos mesquinhos e que nada representam, quando confrontados com a realidade. Com o advento das redes sociais é impressionante o número de usuários que cada vez mais assumem papel de formadores de opinião sem, no entanto, se preocuparem com a própria formação e com aquilo que divulgam ou escrevem. A mídia convencional também está cheia de pseudoletrados, que se arrastam pelos cantos das redações tentando se valer de algo que não têm: a devida capacidade e a necessária competência para o exercício do jornalismo, hoje um tanto quanto que precário devido justamente a falta de formação profissional e técnica de muitos que o exercem. Boa parte apenas para satisfação de egos ou simplesmente para verem os nomes estampados em páginas de jornais, revistas ou as caras nas telas das TVs ou por trás de microfones de rádio.
O direito à liberdade de expressão do pensamento é sagrado e, principalmente, um preceito constitucional garantido a todo cidadão. O exercício da profissão de jornalista, entretanto, não pode ser jogado na vala comum dos interessados em exercê-la, simplesmente porque um nobre (nem tanto assim) ministro do STF julgou por bem descartar a obrigatoriedade da formação técnica nos bancos das universidades, simplesmente porque, em sua opinião, todos podem exercê-la e têm competência para isso. Opinar, escrever crônicas ou assinar colunas técnicas, específicas de cada profissão, não significa ser jornalista. E isso sempre existiu, mesmo antes da sentença do nobre ministro. Estamos num momento de total desalinho com a realidade, quando vemos que há muita irresponsabilidade com a própria informação, uma arma por si perigosíssima se utilizada por quem não tem o menor compromisso com a verdade.
As redes sociais criaram muitos personagens dessa natureza, que ao primeiro sinal de perigo se escondem e fogem de suas próprias sombras, para não serem alcançados pela falta de ética de sua conduta. Isso não pode e não deve, nunca, nos amedrontar, a nós que lutamos diariamente para buscar a integridade da informação e, muitas vezes, arriscamos nossa própria segurança para chegar o mais próximo possível dessa verdade que tantos procuramos. A picaretagem profissional está em qualquer área do conhecimento humano. E o caráter de um profissional se mede pelo seu valor de mercado. Quanto você quer receber, mesmo?

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