CURA GAY: Reversão é retrocesso, diz grupo LGBT

CURA GAY: Reversão é retrocesso, diz grupo LGBT

Antonio Claudio Bontorim
LIMEIRA
claudio.bontorim@tribunadelimeira.com.br

Retirada da lista de doenças pela Associação Americana de Psiquiatria em 1973 e oficializada pela OMS (Organização Mundial de Saúde) em 1990, quando deixou o CID (Código Internacional de Doenças), a homossexualidade ainda é tema de discussão. E voltou à pauta no início de setembro, quando o juiz da 14a Vara Federal de Brasília, Waldemar Cláudio de Carvalho, autorizou psicólogos, através de liminar concedida à psicóloga Rozangela Alves Justino, a oferecer tratamentos, que ficaram conhecidos como a cura gay, proibidos desde 1999 pelo CFP (Conselho Federal de Psicologia). “Essa decisão judicial é um retrocesso e ao mesmo tempo uma abertura à intolerância e ao preconceito, porque vai contra tudo o que a ciência prega e que a própria OMS já definiu quando retirou a homossexualidade do código de doenças”, afirmou à Tribuna a coordenadora do CAD (Centro de Apoio à Diversidade), que reúne a comunidade LGBT em Limeira, Isabelly Carvalho.
Segundo ela, antes do mérito do tema ser discutido, a impressão que dá é que há interesses em tirar outros assuntos da mídia, como a atenção das ações do governo, a corrupção que campeia em todas as esferas políticas e administrativas.  “É uma decisão (do juiz) que suspende uma determinação técnica, apenas para atender a determinados setores da sociedade mais conservadora e grupos religiosos, que não aceitam a homossexualidade”, disse Isabelly. Ainda de acordo com ela, é um posicionamento que preocupa a comunidade LGBT, na medida em que fomenta ainda mais os preconceitos, que já não são poucos e a homofobia crescente. “Ninguém é obrigado a concordar com a prática, mas é um direito de cada um que está em jogo, quando se declara homossexual ou não, então não há reversão para isso, a chamada cura, justamente porque não é uma doença”, observou.

EGODISTONIA
Ainda de acordo com a coordenadora do CAD, o psicólogo é importante para trazer a questão da homossexualidade à tona, quando a pessoa sofre com isso. “Quando o desejo não está em sintonia com o ego, é o psicólogo quem pode resolver a situação, para tratar daquilo que chamamos de ego distonia. É o profissional competente para fazer essa ponte e devolver essa sintonia à pessoa”, lembrou.
Isabelly chamou de proselitismo o trabalho de psicólogos que se dispõem à chamada cura gay. “Esses profissionais estão defendendo posições pessoais, ou defendendo grupos ligados a crenças religiosas ou suas próprias”, disse. Ela tratou de charlatanismo mesmo, porque vai ao contrário do que a ciência está dizendo. “E isso agrava a situação, o preconceito”, afirmou.
Em Limeira há uma lei, já sancionada, que determinou o dia 17 de maio, como Dia Municipal de Combate à Homofobia. O Projeto de Lei foi votado e aprovado na Câmara em 22 de fevereiro de 2012 (Lei 309/2011, do então vereador João Alberto dos Santos – PSB). Sancionada e promulgada em meados de março de 2012, a Lei foi publicada no JOM (Jornal Oficial do Município) de 17 de março daquele ano.

Transexualidade ainda é tratada como patologia

Outra questão lembrada pela coordenadora do CAD Isabelly Carvalho é no que diz respeito a transexualidade, que ainda é tida como uma doença e é chamada de distonia de gênero, ainda reconhecida pela OMS como tal. “É quando um homem se traveste de mulher, aplica próteses para assumir sua personalidade feminina e mesmo assim estamos lutando, também, para ‘despatologizar’ o que chamamos de identidade trans, da mesma forma vítima de muitos preconceitos”, explicou.
De acordo com ela há países que já aboliram a transexualidade como patologia clinica, mas no Brasil ainda ela existe. “Hoje, faço parte de uma rede nacional de pessoas trans, que realiza um levantamento de crimes violentos contra transexuais pelo país. Em todo o ano de 2016, por exemplo, catalogamos 144 crimes violentos contra os trans e em 2017, até o momento, já são 110”, contou.

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