Senso & Consenso

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Escola sem escrúpulos seria melhor!

Defensores ferrenhos da chamada escola sem partido (tudo em letra minúscula mesmo), ligados a partidos conservadores ou reféns de suas crenças religiosas, das mais diferentes convicções, insistem nessa aberração e se contrapõe à Constituição Federal. É cerceamento do ensino e também da história, que faz parte das grades curriculares. Insistem esses ilustres legisladores, vereadores ligados a igrejas ou instituições descompromissadas com a própria liberdade de expressão, por exemplo, esquecendo-se que é o governo federal quem determina as diretrizes da educação, através da chamada Lei de Diretrizes de Base. E que o próprio STF (Supremo Tribunal Federal), através do ministro Luís Carlos Barroso, decidiu pela inconstitucionalidade de uma lei no estado de Alagoas, baseado na ideologia da escola sem partido, afirmando que “é tão vaga e genérica que pode se prestar à finalidade inversa: a imposição ideológica e a perseguição dos que dela divergem”. E com certeza é o que vai acontecer.
E exemplos não faltam, como o do vereador paulistano Fernando Holiday (DEM), membro do MBL (Movimento Brasil Livre), que percorre escolas municipais intimidando professores que não seguem essa “cartilha”, mesmo sem a existência de lei aprovada. Vereador que esteve inclusive em Limeira, defendendo projeto de igual teor do vereador Clayton Silva (PSC), que já está pronto para ser votado, instituindo a escola sem partido no município, num total desrespeito à democracia e ao direito do professor ensinar. Como será a formação desses alunos, se não puderem aprender sobre política? Com certeza serão presa fácil para políticos de uma estirpe nada democrática, cuja única intenção é subjugar a inteligência. A capacidade de discernimento do ser humano a escolher seus próprios caminhos. Campinas tenta seguir no mesmo caminho, mas uma ação da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e a pressão de movimentos ligados à Educação (essa sim com “E” maiúsculo) levaram os vereadores a tirar a urgência do projeto, para que fosse discutido com a sociedade. Projeto de autoria do vereador Tenente Santini (PSD), cuja herança militar vem do pai, general de Brigada do Exército, que representa bem a formação ideológica dos defensores da ideia.
A escola sem partido nada mais é do que uma tentativa de mordaça aos educadores, cujos beneficiários não serão, de fato, a sociedade, a Educação e o direito de escolha, mas sim aqueles que apostam no obscurantismo como forma de se estabelecer no poder.

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