Senso & Consenso

Senso & Consenso

Uma lógica ainda ilógica

Antonio Claudio Bontorim
JORNALISTA
claudio.bontorim@tribunadelimeira.com.br

Venho, há algum tempo, desde que eclodiram os movimentos de rua pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), até seu impedimento definitivo, em maio do ano passado, tentando entender a lógica do combate à corrupção no país. E as atitudes daqueles que seguiram o trio elétrico pelas ruas, com direito a fantasias e alegorias sem, no entanto, atentarem para os fatos que se seguiram à posse do vice, Michel Temer (PMDB). O assunto está batido, já deu o que tinha que dar, mas há uma insistência brutal em manter o teclado ativo, sempre no “tec, tec” de uma nota só. Não perceberam, ainda, ou fingem ignorância (ou até mesmo estão envergonhados), que a corrupção não só não acabou como aumentou, e a níveis que devolvem ao jardim da infância, aqueles que pensaram ser os doutores da roubalheira.
Afinal, quando as ruas começaram a receber sua plateia e foram transformadas em verdadeiros picadeiros por todo o país, esperava-se um movimento contínuo e consciente, para definitivamente livrar o Brasil da corrupção e dos corruptos. Agora, é perceptível que esses movimentos não tinham verdadeiramente esse interesse. E, assim que atingiu o seu objetivo, única e exclusivamente o impedimento da então presidente, ele cessou. Apagou o fogo inicial e recolheu-se à vidinha medíocre que levava, em frente às telinhas das TVs. Não é o caso, aqui, de se criticar os protestos e manifestações nem mesmo o direito que todos têm em externar suas opiniões, mas sua seletividade: Dilma, o PT e Lula. Escolheram alvos facilmente identificáveis, atiraram a esmo, tiraram de combate, mas se esqueceram de que a raiz continuou germinando e outras ervas daninhas brotaram com mais força e vontade de explorar e dilapidar o patrimônio público. E é justamente aí que não entendo a lógica desse silêncio sepulcral que tomou conta das vozes e das panelas.
As mesmas vozes que gritaram palavras de ordem, hoje estão em silêncio e aplaudem até mesmo os larápios que colocaram no poder, para continuar metendo as mãos no dinheiro público. Sorriem e se sentem felizes porque tiveram participação ativa na construção do novo – mas antigo e carcomido – modelo de corrupção. Hoje, estão aliviados, porque são patrocinadores da ladroagem e os que estão lá o fazem com autoridade de quem foi levado no colo até os cofres. Essa é uma lógica, como escrevi no início, que não se explica. Talvez se auto explique na condição de quem a perpetrou. Nesse caso Nelson Rodrigues tinha razão. Não basta apanhar. Tem que gostar de apanhar. E sorriem a cada chicotada.

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