Senso & Consenso

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Cúmplices da corrupção

Antonio Claudio Bontorim
JORNALISTA

Criminalizar e punir a corrupção é o desejo de todos. E prioridade a qualquer país que queira sair do subdesenvolvimento. Expresso em manifestações públicas, em artigos de opinião nas mídias tradicionais, alternativas e até mesmo nas redes sociais, onde se pode encontrar o maior número de pessoas do bem, íntegras, honestas e portadoras de todas as virtudes do mundo, esse desejo esbarra na seletividade de grande parte dos defensores da transparência, quando se percebe que há uma cumplicidade oculta (mas nem tanto) com essa mesma corrupção. Ora, criminoso não tem outra definição a não ser a de criminoso. Assim como a corrupção, que vai ser sempre corrupção. Seja ela na iniciativa privada (onde existe, sim) ou então no Poder Público, onde o prejuízo é muito maior, porque atinge toda a sociedade. Dessa forma, não há como acusar um e defender outro, senão pela seletividade.
Posto isso, defender o atual presidente Michel Temer (PMDB), como ocorreu na votação na Câmara, que arquivou o processo contra ele por corrupção passiva, alegando uma possível estabilidade econômica e política, é tão nocivo à nação como negar tudo o que está sendo apurado desde a Lava Jato. E afirmar que ele será julgado assim que deixar o cargo é um ato confesso dos crimes que cometeu e vem cometendo. Esse ato de cumplicidade da sociedade, que preferiu silenciar em vez de voltar às ruas, reflete um momento muito mais complexo e danoso, porque avaliza de forma explícita a corrupção. Há uma semelhança impressionante entre aqueles que criticam Lula e o PT e ao mesmo tempo defendem ou “absolvem” Temer de crimes até piores e muito mais fundamentados, que os utilizados para impedir Dilma, e a ala mais podre da política nacional. Ambos são confessos advogados da corrupção seletiva que tratei no início desse texto. São os príncipes das “carteiradas” e fura-filas de plantão, que bradam palavras de ordem pela moral e pela decência, mas não se cansam de se aproveitar das situações que lhes convém.
Se vale para um, vale para todos. Não há diferença entre a corrupção praticada por um partido daquela praticada por outro. O que vale para seus integrantes, uma vez que a instituição partidária é composta pelas pessoas e, são elas, que são responsáveis pelos crimes praticados. E muito menos a desobrigação, em nome de qualquer de sei lá o que, da punição na mesma proporção. Não há espaço para a defesa da ética aos cúmplices da corrupção.

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