EXTREMA POBREZA EM LIMEIRA: Total de famílias cresce 48,5%

EXTREMA POBREZA EM LIMEIRA: Total de famílias cresce 48,5%

Antonio Claudio Bontorim
LIMEIRA
claudio.bontorim@tribunadelimeira.com.br

Se o número de beneficiários do programa Bolsa Família manteve-se estável em Limeira, conforme mostrou a Tribuna de Limeira na semana passada, o mesmo não é notado quando se avalia os índices da Vigilância Socioassistencial sobre o quadro de empobrecimento das famílias limeirenses. De acordo com o diretor do órgão, que é vinculado ao Ceprosom (Centro de Promoção Social Municipal), José Paulo Correia de Menezes, o número de famílias que hoje estão na faixa da extrema pobreza no município (renda de até R$ 85 per capita) cresceu quase 50% entre 2013 e 2017. “Foi de 8.133 famílias, em março de 2013, para 12.083 família (em junho deste ano), num movimento que começamos a notar a partir dos indicadores colhidos junto aos CRAS (Centro de Referência da Assistência Social)”, explica Menezes.
Segundo ele, a Vigilância Socioassistencial percebeu o crescimento da faixa de extrema pobreza, cujos motivos estão sendo avaliados, “mas, com certeza, tem na crise econômica pela qual o país atravessa e no desemprego duas causas bastante prováveis”. Hoje, ainda de acordo com ele, 74% das pessoas que estão na faixa de extrema pobreza recebem o Bolsa Família, o que alivia um pouco, mas não resolve o problema. “Essa situação fica mais visível ainda, quando notamos o aumento da procura por cestas básicas nos CRAS e transformamos esses indicadores em números, que refletem a atual conjuntura”, avalia o diretor da Vigilância.
Limeira tem seis CRAS na área urbana e um na área rural, que divide o município em regiões, mostrando onde o problema é mais acentuado.
As outras faixas estão assim divididas, com o devido porcentual do Bolsa Família. Na Faixa 2, considerada pobreza, a renda vai de R$ 85,01 a R$ 170 per capita (56%); na Faixa 3, de R$ 170,01 a meio salário mínimo (R$ 468,50) per capita (6,5%) e, na Faixa 4, acima de meio salário mínimo per capita, são os que entram no Programa Minha Casa Minha Vida. “A cobertura soma 70% de todos os casos, porém, os mais pobres são os maiores beneficiados”, conclui.

Benefício garante até R$ 937 para idosos e deficientes físicos de baixa renda

Outro benefício que tem auxiliado famílias de baixa renda em Limeira é o BPC (Benefício de Prestação Continuada), que garante até um salário mínimo (R$ 937) a idosos e pessoas portadoras de deficiência. Hoje são 2.275 idosos e 1.952 deficientes que recebem o benefício no município, injetando no mercado cerca de R$ 4,06 milhões mensais. Os beneficiários devem procurar o Ceprosom (Centro de Promoção Social Municipal) para atualizar os dados do CadÚnico (Cadastro Único) até dezembro deste ano, para não perder o BPC.
Todos esses dados são públicos e estão disponíveis no site do Ceprosom e são atualizados trimestralmente. “Para isso, fazemos um trabalho bastante minucioso de cruzamento de informações e pedimos sempre para que essas pessoas mantenham seus dados no CadÚnico atualizados”, orienta o diretor da Vigilância Socioassistencial.
Ainda de acordo com Menezes, há uma fiscalização constante e só recebe os benefícios em dia quem estiver regularizado, uma vez que o sistema faz o cruzamento de dados com os do Ministério do Trabalho, da Receita Federal (Imposto de Renda) e até com o Nota Fiscal Paulista e com o Renavan, para acompanhar a situação econômica do beneficiário.

Pessoas vivem há anos com auxílio

Famílias contempladas com algum benefício oferecido pelo Poder Público vivem há anos com a ajuda. É o caso de uma mulher, 57, que vive no Belinha Ometto, que há 10 anos recebe o Bolsa Família. “São R$ 240 mensais para sustentar quatro pessoas”. Outra mulher, 33, desempregada há 3 anos, recebe R$ 170, também do Bolsa Família, que ajudam ela e a filha a pagarem as contas da casa na Vila Teixeira Marques.
Cunhado de um cadeirante, 65, veio fazer o recadastro para ele. “Sem o dinheiro – do Benefício de Prestação Continuada (para idosos e deficientes) – não daria para ele sobreviver”, comenta.

Famílias na extrema pobreza

2013 – 8.133 (março).
2014 – 9.529 (dezembro).
2015 – 9.235 (outubro).
2016 – 9.641 (março).
2016 – 10.440 (junho).
2017 – 11.091 (fevereiro).
2017 – 12.083 (junho).

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

*