Senso & Consenso

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Antes que pouse um avião…

Antonio Claudio Bontorim
JORNALISTA
claudio.bontorim@tribunadelimeira.com.br

Limeira talvez tenha perdido o bonde da história ao não participar da iniciativa do aeroporto regional, firmada entre Piracicaba, Iracemápolis e Rio Claro. O município possuía um projeto – como ainda possui e pode até ser retomado – que vem de longe, conforme mostrou a Tribuna de Limeira em sua edição passada. Já passou por três prefeitos (Pejon, Félix, Hadich) e entra no quarto (Botion) mas o que se vê é apenas uma parte da pista coberta por camada asfáltica, abandonada e que até já foi palco de um acidente com morte, que aconteceu na disputa de um “racha” entre veículos (atualmente a pista tem obstáculos para impedir novas disputas dessa natureza). As maiores promessas e os sonhos de se ter um aeroporto até mesmo de nível internacional, se deu no governo do ex-prefeito Silvio Félix (PDT), que prometeu mundos, mas acabou saindo pelos fundos.
O seu sucessor, Paulo Hadich (PSB), simplesmente abandou a obra, que está com pendências judiciais, suspeitas pelos investimentos que recebeu e até que ponto chegou, e por quatro anos tudo ficou parado. A intenção do atual, Mário Botion (PSD) em retomar as obras pode até parecer uma ideia interessante, já que desde o fim do aeródromo, o município não conta mais com esse tipo de serviço, mas esbarra num problema que talvez nem mesmo o então prefeito José Carlos Pejon (hoje no PDT e à época no PSDB), imaginasse quando pensou o projeto: sua localização. Por que essa referência ao local para onde foi projetado, ou seja, no Bairro do Pinhal? É simples. A narrativa das peripécias que a equipe de reportagem dessa Tribuna teve que enfrentar, até chegar ao local, mostra a ausência total de infraestrutura para a existência de um aeroporto onde ele começou a ser construído. Já se gastaram quase R$ 16 milhões por lá, por um pedaço de asfalto.
A dificuldade de acesso à área e a precariedade dos caminhos que levam até lá mostram que é necessário uma reorganização da sua retomada, mesmo que a atual administração consiga verbas, através de convênios com o governo federal, intermediado pelo deputado federal limeirense Miguel Lombardi (PR). Antes de colocar máquinas a trabalhar no local, é preciso definir como chegar até lá com facilidade, já que tem uma rodovia estadual a se cortar e apenas uma pequena estrada (que não tem condições de assimilar tráfego pesado, em especial de caminhões de carga). Antes de a obra ter sido iniciada, era preciso ter pensado nisso. Não dá para se construir uma casa pelo teto, antes do alicerce.

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