O vereador Clayton Silva (PSC) acabou se tornando o personagem principal de uma polêmica envolvendo a Câmara de Limeira e a comunidade LGBT da cidade, que começou na segunda-feira, 5, com a votação de uma moção de protesto contra o governador Geraldo Alckmin (PSDB), para que ele revogue a decisão de regulamentar o uso de banheiros por identidade de gênero nas escolas estaduais, e terminou, na quinta, 8, com a ida de conselheiros tutelares a uma peça teatral sobre preconceito no Teatro Nair Bello e com o cancelamento de ônibus da Secretaria de Educação que levariam estudantes do EJA (Educação de Jovens e Adultos) à apresentação, que era classificada para maiores de 12 anos.
Na segunda-feira, 5, uma moção de protesto – de autoria de Clayton Silva – contra o governador Geraldo Alckmin (PSDB), para que ele revogue a decisão de regulamentar o uso de banheiros por identidade de gênero nas escolas estaduais, entrou em votação e a polêmica começou.
Em seu discurso de repúdio a medida de Alckmin, o vereador chegou a afirmar que era “ridículo concordar com isso” e que um filho seu jamais seria homossexual. “Se meu filho fosse homossexual, coisa que não vai ser, pois estou ensinando ele moralmente, eu ensinaria ele ser igual ao Clodovil (ex-deputado e apresentador de TV, morto em 2009), porque o pai e a mãe dele ‘ensinou’ ele a defender a família”, disse no Plenário.
Vereadores como Estevão Nogueira (PRB), Lemão da Jeová Rafá (PSC) e Anderson Pereira (PSDB) defenderam a moção de Clayton Silva, que foi aprovada por 15 votos a 4 somente na quinta-feira, 8, em sessão extraordinária, porque o horário da sessão de segunda-feira, 5, chegou a limite máximo. Não votaram Zé da Mix (PSD), presidente, e Marcelo Rossi (PSD), afastado com licença médica.
Ainda na segunda, 5, as vereadoras Carolina Pontes (PSDB), Erika Tank (PR) e Dra. Mayra (PPS) foram a voz da contrapartida. O vereador Pastor Nilton (PRB) também chegou a afirmar que estaria disposto a repensar seu posicionamento sobre a norma, que, segundo ele, precisaria de adequações.
Além de Carolina Pontes, Erika Tank e Dra. Mayra, Lu Bogo (PR) também votou contra a proposta.

SEGUINDO A LEI
Questionado sobre a moção, o governo paulista afirmou, em nota enviada pela Secretaria de Educação do Estado, que “a respeito da utilização de banheiros segundo a identidade de gênero, a Secretaria de Educação do Estado informa que atende ao que determinam a Constituição Federal e a Lei Estadual 10.948/2001 – esta última institui penalidades a quem comete discriminação em razão de identidade de gênero. Atualmente são apenas 365 alunos em toda a rede de ensino nesta condição, identificados em processo complexo, que é acompanhado com atenção pela comunidade escolar. A medida não permite que qualquer aluno utilize qualquer banheiro, não havendo risco de nenhuma natureza para os demais estudantes”.
Em nota enviada pela Secretaria de Comunicação Social, o prefeito Mario Botion (PSD) também disse defender o que determina a lei. “Respeito os direitos individuais e coletivos. Isso tudo conforme o que já está estabelecido em legislações muito bem conhecidas”.

ÔNIBUS
Ônibus da Secretaria de Educação, que levariam alunos do EJA a peça no Teatro Nair Bello, foram cancelados após a intervenção do vereador, conforme apurou a Tribuna. Clayton Silva não teria ficado satisfeito com a ida dos estudantes da rede municipal à peça com temática contra a homofobia. A apresentação faz parte do Circuito Cultural Paulista.
Conselheiros tutelares também foram ao teatro “averiguar se algo irregular estaria acontecendo”.
Sobre o cancelamento do ônibus, a prefeitura informou, também em nota enviada pela Secretaria de Comunicação Social, que “houve o pedido para os ônibus, porém, não houve confirmação de que eles seriam cedidos, mesmo porque, estavam passando por manutenção. Portanto, não houve cancelamento”.

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