Senso & Consenso

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O equilíbrio que falta

A comunicação institucional é uma das mais importantes ferramentas para que corporações ganhem seu espaço na mídia, além das campanhas publicitárias e da propaganda que veiculam nos órgãos de comunicação. Não fosse assim, a própria mídia não teria sua subsistência garantida e muito menos investimentos para se aperfeiçoar em busca de novos públicos. De novos investidores. Não fosse assim, as grandes empresas, apesar de se autopromoverem pela própria marca, também não ganhariam novos espaços ou conquistariam novos clientes. Não dá para separar essa relação, muitas vezes incestuosa, de nenhum dos lados. Mas deixando esse incesto – necessário e saudável – de lado, o mundo político e o Poder Público também vivem essa relação. E é nesse ponto que é preciso muito mais cuidado para que não descambe para outro tipo de relação, separada por uma linha tênue entre a ética e a promiscuidade. Não é teoria, é realidade.
Nesse intervalo, há o trabalho das assessorias de imprensa, responsáveis por municiar os veículos de comunicação com informações técnicas muitas vezes desconhecidas pelo jornalista, que precisa desse apoio, sim. É nesse ponto que a relação passa a ser mais próxima e exige reciprocidade, na captação das informações, pelo jornalista, e na transmissão das informações solicitadas, pelas fontes procuradas. Um trabalho que deve ser ágil e atender os dois lados do processo comunicacional. Para chegar até seu ponto final, que é a opinião pública. O setor privado, apesar das grandes empresas de assessoria de imprensa, dos grupos especializados na comunicação corporativa, às vezes patina nessa relação. Ou por falta de vontade e medo de estreitar esses laços de cumplicidade; por desconhecimento da importância dessa boa relação e da necessidade da informação e até mesmo medo de se expor.
Se a iniciativa privada é recatada, na política e no Poder Público há, muitas vezes, um exagero e até mesmo um despudor na divulgação, que muitas vezes pouco interesse tem e, na contrapartida, uma lentidão na apuração de fatos, o que compromete o próprio trabalho da imprensa, na rapidez que o fato pede. Uma total falta de equilíbrio, que com certeza, esbarra na burocracia e, principalmente, nas muitas mãos pelas quais o pedido passa. Por exagero de tecnicidade ou até mesmo pelo excesso de carimbos que deve receber. A comunicação de massa e o atual estágio da informação requer muito mais agilidade que isso. Foi-se o tempo do cavalo, da caravana e do trem. A hora certa é coisa do passado.

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