Senso & Consenso

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Comodismo ou covardia?

Fora da vigilância do regime militar, o direito à greve e a manifestações públicas virou preceito constitucional e ninguém, desde que de forma pacífica, deve ser proibido de exercê-lo livremente. Quer gostem ou não alguns pseudo-tiranos de gabinete, que insistem em protestos unilaterais. Não devem, também, transformar o direito de ir e vir do cidadão em causa obrigatória, apenas para engrossar números e mostrar força. Justamente porque acaba municiando aqueles que desaprovam tais movimentos, mas no final se beneficiam de suas conquistas. São os primeiros a confundir, por interesse político ou não, baderneiros com manifestantes e não se preocupam em diferenciar um de outro, jogando-os no mesmo balaio. Na vala comum onde dormem os covardes. Só para reafirmarem suas convicções.
E, atentos aos movimentos do último dia 28, mais uma vez o ódio e a intolerância cerraram fileiras nas redes sociais, com postagens ofensivas e sempre recheadas de adjetivação chula e até mesmo com expressões de baixo-calão, como se fossem uma válvula de escape às suas próprias frustrações. Muitos, talvez, frustrados pela falta de coragem em aderir aos protestos. Que, em suas opiniões, devem mais parecer com procissões religiosas do que com a verdadeira vontade de provocar mudanças. E não há, na história da humanidade, recente ou não, mudanças feitas apenas com as mãos postas em orações ou oriundas de gabinetes dos burocratas e suas inevitáveis assinaturas mágicas. Mudanças são feitas com revoluções – e aí cada um entenda como quiser – e às custas de sacrifícios. Sempre há uma pronta para acontecer. Até mesmo cibernéticas, dos desafios das informações globais, transmitidas online e em tempo real.
A comodidade causa uma enorme deformidade na condução de qualquer movimento que se pretenda revolucionário. Uma comodidade burra, que espera apenas as coisas acontecerem para, posteriormente, tirar proveito do sacrifício daqueles que foram para as trincheiras enfrentar a realidade. Que não estão na frente da televisão. Mas salta aos olhos de quem de fato quer acreditar em dias melhores. Esses dias nunca serão melhores se ninguém der um safanão na consciência dos acomodados.

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