A polarização coxinha/mortadela, que toma conta da política brasileira recente, segue causando estragos. E dos grandes. Criada pela classe política, ela afeta, exclusivamente, o povo. Uma discussão entre apoiadores e contrários a greve geral de sexta-feira, 28, que quase terminou em troca de socos em Limeira, é uma prova disso.
De um lado, um pequeno grupo de pessoas tentava fechar a Rua Dr. Alberto Ferreira – em frente ao Edifício Prada, de onde partiram os manifestantes – do outro, um veículo com homens e mulheres que, simplesmente, queriam passar, questionam. E o esperado aconteceu: a discussão. Motorista e um passageiro descem do carro e batem-boca com um manifestante, alguns tentam separar e, não fosse a atuação de agentes de trânsito e de guardas civis municipais, uma briga teria começado.
O que manifestantes e o grupo do carro têm em comum? Todos são trabalhadores, que lutam dia a dia pela sobrevivência em um país afundado até pescoço na lama da corrupção, ou seja, são vítimas.
Há alguém errado na história? Provavelmente, não. O manifestante que tentou fechar a rua poderia, sim, ter deixado o carro passar. Isso não mudaria em nada o ato, já que não havia quase ninguém na via naquele momento. E o motorista, caso não fosse nenhuma emergência (que era o que aparentava o caso flagrado pela Tribuna), não teria nada em seu dia alterado se tivesse esperado 10 ou 15 minutos até que o protesto passasse e entrasse na Rua Carlos Gomes alguns metros à frente.
Após a intervenção dos laranjinhas e gcms, as velhas e já conhecidas ofensas de coxinha de um lado e mortadela do outro. E é neste ponto que voltamos ao início deste Editorial. Num momento onde a união traria muito mais benefícios à coletividade, a divisão se torna ainda mais evidente. Mais uma vez, parabéns à classe política.

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