Em nome de que?

A condução coercitiva do blogueiro Eduardo Guimarães, editor do Blog da Cidadania, na última terça-feira, 21, determinada pelo juiz Sérgio Moro e executado por agentes da PF (Polícia Federal) é um aviso claro de que a liberdade de imprensa, conforme garantida pela Constituição Federal, não está sendo respeitada. E cobrar dele a quebra do sigilo de fonte é inadmissível em se tratando de que, para qualquer jornalista, esse é o seu maior direito. É só mais um exemplo, entre os muitos (recentemente uma jornalista do Estadão teve seu sigilo telefônico quebrado por um juiz também), da ameaça que sofre a liberdade de expressão em tempos de intransigência e de tentativas de empurrar goela abaixo da sociedade civil um pensamento linear e único de que há somente uma versão dos fatos, concentrada nas mãos de Moro e do MPF (Ministério Público Federal) e tudo que se apresentar contrário às suas determinações é passível de dúvida. De punição, tal qual a condução de Guimarães.
Esses casos, que ganham notoriedade, servem de exemplo para que não só os jornalistas, mas a sociedade – a não manipulada ou manipulável – como um todo não feche os olhos a esse tipo de ação. A liberdade de imprensa é o mais forte pilar da democracia e, para isso, quando um jornalista comete algum tipo de crime (que não é esse caso, diga-se) há leis dentro dos códigos processuais que tratam disso. Conduzir coercitivamente um jornalista só por que ele noticiou um fato uma semana antes de acontecer é de tamanha violência, que só pode ser entendida como intimidação. Afirmar que seu blog é político e de determinada tendência é outra violência, uma vez que a Constituição também garante o direito a isso.
O mais preocupante é que esse tipo de atitude, aparentemente em nome da “legalidade”, tem refletido em setores da sociedade, inclusive formadores de opinião, que já propõem a volta da censura à imprensa. Li, estarrecido, alguém disseminando essa ideia recentemente pelas redes sociais. Trata-se, e agora deixei todas as minhas dúvidas de lado, de uma tentativa de criminalizar o pensamento político. O que não tem nada a ver com a condução da político-partidária e nem das ações dos políticos. Estamos, de fato, em risco. Moro voltou atrás, o que é louvável pelo respeito à liberdade de imprensa, mas o estrago já está feito.