Autoridade não significa autoritarismo. Muito pelo contrário, é uma característica básica para quem quer se fazer respeitar, sem, no entanto, cobrar por esse respeito. É natural e inerente à própria condição daqueles que detém a verdadeira autoridade e sobre ela executa seus atos. Um escorregão sobre esse tipo de procedimento pode causar um estrago maior do que qualquer suposta insubordinação. Está mais para tentar segurar as rédeas de um cavalo em disparada sem dar uma devida direção para que ele não atropele ninguém ou até mesmo seja atropelado no seu percurso.
Uma simples manifestação de um guarda civil municipal na Tribuna Livre da Câmara de Limeira, discordando de uma ação e expondo os motivos dessa discordância, provocou um alvoroço no primeiro escalão do governo Mario Botion (PSD). Em especial na pasta onde ele está lotado, que é a Secretaria de Segurança Pública. O pedido de uma sindicância, do titular da pasta, Francisco Alves, por ato de “indisciplina e incitação à tropa”, conforme publicou a Tribuna, causou mais estragos ao Poder Executivo do que a simples fala do gcm na Câmara, que usou de suas prerrogativas de profissional e cidadão para apenas discordar de um ato administrativo. Como todos podem discordar a qualquer tempo e qualquer hora.
Militarizar uma instituição civil foi um ato descabido para o fato em si, muito menor que a repercussão que produziu. O respeito à hierarquia, principalmente, na esfera civil, não significa submissão. Fica a lição, portanto, que às vezes na ânsia de acertar, a emenda fica pior que o soneto. Nesse caso não caberia nota pública como foi feito, que só aguçou a curiosidade de todos sobre um fato extremamente irrelevante.