Senso & Consenso

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A diversidade em xeque

Por mais que tentemos entender certas questões relativas ao politicamente correto (na crista da onda, com se costumava dizer quando alguma coisa virava moda, o que hoje chamamos de viral), mais caímos na mesmice de grupos que, ao lutar contra o preconceito, exacerbam suas próprias limitações em não aceitar a cultura, pura e simples, como ela de fato é. O preconceito não vem embutido em uma simples frase, ou num modo de agir, mas num contexto muito mais complexo, de atitudes que realmente ferem a dignidade humana, quando alicerçado no ódio, na intolerância e no desrespeito à liberdade de expressar suas próprias convicções.
Tutelar brincadeiras, expressões que se tornaram culturais no universo popular, em prosa, verso e música, é um fiel retrato da ignorância que hoje se alastra entre o que seria a defesa de grupos minoritários (por si só uma concepção pura do próprio preconceito), como grupos étnicos, religiosos e ideológicos. Perde-se a noção da inocência e do que realmente representa a convicção dessa defesa, que caminha lado a lado com a intransigência. Contra a qual esses mesmos grupos costumam lutar, sem, no entanto, saber com quais argumentos lutar. E não há arma mais potente que um argumento bem-posto; não há resposta mais forte e convincente, que uma opinião bem fundamentada. É isso que está faltando ao que se convencionou chamar de politicamente correto. A chatice em abundância.
Quando o tal politicamente correto (cada vez mais incorreto) joga a cultura no lixo sem nenhum apreço ao que ela representa, expressa o mais odioso tipo de intolerância. Há imbecis para todos os gostos. E que não conseguem distinguir quando uma expressão é um legado cultural de uma expressão ofensiva. Ou retomamos nossa cultura popular como ela realmente é ou, então, teremos que nos dirigir a cada pessoa, a cada grupo, como vossa excelência, que aliás é muito mais ofensivo, porque de excelência as nossas “vossas excelências” não têm mais nada.
Saber distinguir a ofensa da diversidade cultural deveria fazer parte dessas individualidades que enxergam malícia em tudo. Ou, então, não estão preparadas para exercer essa absurda advocacia do indefensável. Todos deveriam saber onde está a maldade, antes de enxergar a maldade onde ela realmente não está!

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