Senso & Consenso

Senso & Consenso

Piano de uma tecla só

A cada dia que passa, revelações que incendiariam qualquer governo e que, com certeza, em outros tempos, levariam milhares às ruas, hoje não vão além da inércia dos movimentos que bancaram o combate à corrupção nas grandes marchas de 2015. E, também, do pato amarelo murcho. E a resposta é simples e deve ser dada sem rodeios: o objetivo já foi alcançado, com a retirada do PT do poder e o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), golpe negado por seus artífices, mas que mais e mais é corroborado com o passar do tempo e com a relação de poder que se estabeleceu após tudo isso. Um movimento que vinha se alinhando entre o PSDB e o PMDB, provavelmente, desde o dia 27 de outubro de 2014. Isso não é nenhuma teoria de conspiração ou tentativa de defesa do status até então estabelecido, por eleições democráticas. As artimanhas das cúpulas dos dois partidos citados, mais o DEM e os demais que já estavam no poder e continuam da mesma forma, dá esse significado à nova conformação da elite política brasileira.
Aos poucos, ou melhor, a conta-gotas, esses partidos vão se acomodando num governo que não é e nunca será, pelo menos até 2018, de merecimento ou pertencimento. E a isso se dá o nome de golpe, embora todas as instâncias legais e todos os procedimentos jurídicos e constitucionais tenham sido seguidos. Um golpismo diferente, só constatado após o fortalecimento dos grupos que o perpetraram, que de combate à corrupção nada têm, não terá e nunca teve. Ora, basta um olhar na cronologia de todo o processo, que se verá e se comprovará todos os argumentos acima. Aos poucos, o aliciamento da classe política foi se fortalecendo e cada uma das siglas começou a ganhar seu quinhão de participação no espólio petista, hoje diluído nas mãos justamente daqueles que foram derrotados nas eleições. Com exceção do atual presidente (o que era o vice da chapa do PT), o peemedebista Michel Temer.
Os argumentos da legalidade, da constitucionalidade e da moralidade caem por terra, apenas observando-se a conformação do novo governo. E todo seu séquito palaciano. Enquanto não houver uma nova eleição, e aí os eleitos poderão bater no peito e argumentar, não haverá outra definição para tudo o que vem ocorrendo no país. Esse piano tinha uma tecla única, da qual tentaram tirar música. E piano de tecla única não toca boa música. Apenas repete o som que dela sai. A prática comprova a teoria.

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