Acabou o encanto…

Fim de um ano e começo de outro. O que deveria ser sinônimo de expectativas positivas para o país está se transformando num pesadelo que parece não ter fim. Assim como também chega ao fim a lua de mel – se é que existiu? – entre Michel Temer (PMDB) e a população. Principalmente para aqueles que foram às ruas pelo impeachment da petista Dilma Rousseff e hoje se sentem órfãos do novo governo. Assim que assumiu definitivamente a cadeira presidencial ele até provocou uma melhora de humor na economia, encanto que agora se esvai com os escândalos e as últimas incursões do presidente na mídia, que começa a perceber seu castelo desmoronar. Não tardará para que caia por inteiro. Temer, assim como seu mandato, está precisando de um choque de realidade, uma vez que está vivendo apenas com o que sobrou do governo passado, tentando passar uma imagem de gestão firme e competência, através de ações práticas que, na prática, não saem do papel. Ou não passam pelo crivo de seus aliados no Congresso Nacional. O governo da pacificação, da união nacional e da recuperação econômica, agora caminha em frangalhos para sua própria forca. E retoma diálogos e fragmentos de conversas e, principalmente, um discurso bastante conhecido. O do populismo exacerbado, para tentar atrair apoiadores. Nas pesquisas de renomados institutos, como Ibope e Datafolha, Temer já aparece com sua popularidade em baixa e seu governo mal avaliado. Consequência evidente do fim do encantamento inicial pós-impeachment e queda do PT. O retorno à realidade está sendo muito pior, pelo envolvimento de seus escudeiros diretos, cada vez mais atolados na lama que escorre da Lava Jato. Inclusive ele próprio citado. E agora vem o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que autoriza a PF (Polícia Federal) a investigar os gastos da campanha da chapa Dilma-Temer, em 2014. Tudo para que 2017 seja eletrizante. Ruim do ponto de vista da recuperação tão esperada da economia. Pior ainda sobre a ótica política. Nada de crise institucional, como pregam alguns. Apenas percalços de um governo desastroso e artificial. Que nem o rótulo de golpista merece. Um punguista de rua com todas as suas características.

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