Direito e desrespeito

Não é possível imaginar a liberdade de expressão do pensamento sem o respeito aos que pensam diferente. Por isso tem esse nome: liberdade de expressão. Assim como não há imprensa livre sem a responsabilidade daqueles que conduzem os destinos da informação. Em ambos os casos há uma sequência de fatos, que não podem ser tratados como via de mão única. São as múltiplas direções que nos apresentam às garantias dessas liberdades. Não há outra forma de condução dessa linha de pensamento, que não seja a da consideração com o outro, qual tal como ele é, uma extensão de seus iguais. E quando isso foge do controle, observa-se uma incrível inversão de valores, que acaba comprometendo o próprio direito de cada um e, como consequência, do todo. Essa não é a primeira – e nem será a última – vez, com certeza, que trato desse tema, para chamar a atenção dos excessos e dos abusos, respaldados pela intolerância e pelo preconceito, quando opiniões são postas publicamente. Antes do debate, o ataque. É assim que reagem os intolerantes, quando uma opinião pessoal não condiz com a sua. É bom lembrar, nesse caso, que a democracia exorta o debate, não o ataque. É essa falta de percepção que tem proporcionado, principalmente, com o advento das redes sociais (hoje a mídia mais avassaladora dos últimos tempos), uma infinidade de xingamentos, insultos, reações de ódio, que extrapolam o verdadeiro comportamento humano. Está se perdendo a noção de que o individualismo é inviolável na sua essência. E aqui não estou tratando o individualismo como sinônimo de egoísmo, mas sim, como “o meu direito é igual ao seu e vice-versa”, sendo que um limita o outro, mas não impede a interação de ambos. E é justamente essa falta de interação que tem levado aos exemplos mais grosseiros daquilo que podemos resumir como estupidez humana. Sem distinção de crença religiosa, ideologia ou simpatia política. Os caminhos que levam ao ódio são os mesmos que conduzem ao amor. A escolha é de cada um.