Parar. Olhar e corrigir

Há muito a se refletir com a entrevista que o vereador Ronei Martins (PT) concedeu à Tribuna de Limeira, publicada na edição impressa da semana passada e, na íntegra, no site do jornal. Vai muito além de um “mea-culpa”. Mostra, acima de tudo, consciência e coragem (que poucos têm) de fazer um olhar introspectivo sobre os próprios erros, não se vangloriando apenas dos acertos. E mostra o lado saudável da política, que é a autocrítica, uma virtude que a maioria (quase a totalidade) dos políticos exclui do seu perfil pessoal, preferindo a arrogância e a pirotecnia para tentar mostrar qualidades que não têm. Pela ênfase que deu ao avaliar seu mandato como ruim, até mesmo “medíocre”, conforme suas palavras textuais, o vereador, que não concorreu à reeleição, merece respeito e deve servir de exemplo àqueles que não conseguem enxergar suas próprias falhas, a não ser o próprio umbigo, refletido do espelho da vaidade.
Com o desenrolar da entrevista, ao reconhecer quando, como e onde errou, ele citou exemplos, situações e condições que o fizeram perceber esses erros. Sem medo de escorregar em acusações levianas, mas se valendo da própria experiência, para não correr o risco de atirar a esmo. Sua mira foi sempre certeira. Principalmente, ao falar do próprio partido e o risco que corre de ser varrido da política, caso não se reinvente. E dar espaço para novos líderes, para que tomem o lugar dos velhos caciques, que, a exemplo das demais siglas, tomaram conta das decisões, esquecendo-se das próprias bases, que até certo momento fazia a diferença entre todos, como disse Ronei, é fundamental.
O mais interessante, porém, foi a análise macro política feita por Ronei, com tendências de reversão à direita. A exemplo do que ocorre na Europa e no continente americano, o resultado das eleições municipais e do próprio grupo que hoje comanda o poder central, mostra essa guinada, trazendo de volta pautas conservadoras e excludentes. Atiçando ainda mais a intolerância, que se percebe nas próprias expressões utilizadas pelos vencedores do pleito. O PT, vale lembrar, já vinha à direita, mas capotou em curva fechada. Parece contradição, mas não é. Ronei diz que para um período de reflexão. Está na hora de o PT, também, voltar-se para si próprio e se questionar.