TRANSPORTE: Taxistas e mototaxistas ‘em guerra’

TRANSPORTE: Taxistas e mototaxistas ‘em guerra’

Sem um serviço de mototáxi regulamentado, Limeira começa a viver uma disputa de passageiros entre taxistas e mototaxistas que pode não terminar bem. Regulamentados e pagando impostos, taxistas da cidade reclamam do que eles chamam de concorrência desleal com os mototaxistas na disputa por passageiros. “Eles (mototaxistas) ficam oferecendo o serviço em frente ao nosso ponto”, reclama um taxista, 52, que pediu para não ser identificado e que atua na rodoviária há três anos.
“Perdemos mais de 20 passageiros por dia para eles. Não há como competir com o preço que eles cobram”, comenta outro taxista, 66, que também não quis ser identificado e que tem ponto na rodoviária há 39 anos.
Outro taxista, Bruno Rodrigues, 29, que há oito atua na rodoviária, conta que desentendimentos já foram registrados entre eles e alguns mototaxistas e que até boletins de ocorrência foram registrados. “Além da ilegalidade do serviço, alguns (mototaxistas) cometem irregularidades de trânsito aqui (em frente ao ponto) e podem ocasionar acidentes”, conta.
Para evitar maiores problemas, os taxistas contrataram um segurança particular para ficar no ponto durante o horário de trabalho e reclamam da falta de fiscalização adequada por parte da prefeitura. “Já ligamos várias vezes para os laranjinhas (agentes de trânsito) e eles não vêm. Aqui, além de inibir a atuação deles (mototaxistas), eles também ajudariam na fiscalização do trânsito que é bastante complicado”, conta Rodrigues.
No Centro, taxitas também reclamam da presença de mototaxistas. “As pessoas ligam e eles recolhem os passageiros em frente ao nosso ponto”, fala um taxista, que prefere não ter o nome revelado e atua na região da Toledo de Barros.
Além da rodoviária e da região central, taxistas citam o mesmo problema nos arredores da Santa Casa e em pontos de táxi em frente ao Pátio Limeira Shopping.

OUTRO LADO
Mototaxistas ouvidos pela Tribuna se defendem e dizem querer apenas trabalhar sem prejudicar ninguém. “Também temos o direito de trabalhar. Não estamos cometendo crime algum”, comenta um homem, 32, que pede anonimato e que há dois anos atua no ramo.
Outro mototaxista, 41, ouvido pela reportagem e que também não quis ser identificado fala que pagaria imposto se a profissão fosse regulamentada. “Só queremos nosso direito de trabalhar. Se tiver que pagar um imposto justo, não vejo problema algum”, cita.

REGULAMENTAÇÃO
Autor de um projeto de lei protocolado na Câmara em outubro do ano passado, o vereador Ju Negão (PEN) afirma que é competência da prefeitura regulamentar a profissão. “O projeto existe e está tramitando. É mais difícil do que se imagina (regulamentar a profissão), mas vale lembrar que cabe ao Executivo regulamentar e fiscalizar o serviço de transporte de passageiros com motos”, cita.
Ju explica que o diálogo com ambos os lados (mototaxistas e taxistas) segue e que todos têm o direito de trabalhar. “Já era para o município ter regulamentado faz tempo. Se ainda não fez, quer dizer que algo está acontecendo”, observa.
Secretario de Mobilidade Urbana, Sebastião Pinto de Souza explica que por não haver lei que regulamenta a profissão, não haveria como multar os mototaxistas e defende a fiscalização por parte dos laranjinhas. “Se há agentes, vamos. Não serei inocente de dizer que estamos em todos os lugares, mas sempre que possível, vamos, sim”, cita.
Souza promete enviar ainda este ano um projeto para o Departamento Jurídico da prefeitura sobre o tema. “Quando assumi (a secretaria) em janeiro, começamos a trabalhar isso”, afirma, explicando que questões sobre o motivo do governo Hadich não ter tomado nenhuma medida referente aos mototaxistas devem ser feitas ao prefeito.

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