Senso & Consenso

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Passado que condena

Mudou o discurso? Ou mudou a prática? Fica difícil saber qual destas perguntas e suas possíveis respostas podem definir, hoje, o PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira), em relação ao governo interino de Michel Temer (PMDB), no qual dispõe de assentos em dois ministérios. É impressionante, ao acompanhar o noticiário na mídia, como seus representantes mais ativos, e por que não dizer combativos (ou seriam afoitos, mesmo?) se empenhavam em aparições apoteóticas, clamando pela ética na política; pela transparência e pelo fim da corrupção. Até mesmo políticos com passado de condenações, como o senador tucano Cássio Cunha Lima, da Paraíba, diariamente frente a frente com os microfones, câmeras de TV ou em fotos e textos nas páginas de jornais e revistas. Para quem não sabe ou nunca viu, tucanos são aves barulhentas e muito vistosas. Em pleno voo ou mesmo pousadas.
A era pré-impeachment, da presidente Dilma Rousseff (PT), foi de uma prática verbal extremada por personagens como o próprio Cunha Lima, o deputado federal tucano, Antônio Imbassahy (BA), entre outros opositores do DEM, PPS e PSB, além dos nanicos recém-saídos do barco petista. A era pós-impeachment, no momento em que a presidente afastada está sendo julgada no Senado Federal, e já integrando a base governista, o tucanato silenciou. O barulho acabou e, quando muito, aparece um para elogiar uma atitude aqui, outra ali, porém, sem mencionar as contradições éticas que envolvem Temer e seus ministros, muitos deles alvo de inquéritos. Outros réus e muitos “et ceteras” mais. Cadê aquela postura agressiva e inflamada, como quando Lula foi nomeado ministro da Casa Civil, por Dilma? O ministro do Planejamento, o também senador Romero Jucá (PMDB-AM), foi pego com a boca na botija, ou melhor, ao telefone, com um diálogo bastante parecido com aquele entre Lula e Dilma, vazado por Sérgio Moro. O deputado Imbassahy veio a público elogiar seu pedido de licença, “até que se prove sua inocência”… E agora o ministro da Transparência, ex-CGU (Controladoria de Gastos da União), Fabiano Silveira, pediu demissão por também ter suas estripulias verbais gravadas.  Se Lula buscava o foro privilegiado, Jucá pregou o “fim” da Operação Lava Jato. E Silveira orientou investigados como proceder. Nesse caso, o discurso político tucano está longe da prática da ética. Revela, definitivamente, apenas ressentimento. Outubro de 2014. Lembram-se?

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