Senso & Consenso

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Se Dilma cair…

“Já que o partido não teve poder de mando no atual governo, não vai carregar essa fatura. O PT agora está sozinho”. Esta frase, dita pelo presidente do PMDB de Limeira, Rafael Camargo, em entrevista feita por este colunista e publicada na última edição desta Tribuna, é um reflexo do sentimento do maior partido do país (em termos numéricos, que fique bem claro) e que foi o estopim de sua saída da base de sustentação da presidente Dilma Rousseff (PT). Não foram as manifestações e nem a preocupação ética e o combate à corrupção que levaram à debandada os partidários do vice-presidente Michel Temer – e o próprio – cujo partido, todos se lembram foi criado às benesses da ditadura militar, para ser um partido de oposição (o antigo MDB contra a Arena). Um partido encomendado.
A decisão do PMDB tomada nesta semana em apenas três minutos de reunião expõe claramente uma situação até então não vivida pelo PT, enquanto governo. E mostra a falta de competência da própria presidente em manter unida a base que avalizava seu segundo mandato. Inflado em seu ego por alguns tucanos, Temer viu, com a ótica do oportunismo que caracteriza a sigla que comanda, uma forma fácil de ele chegar à cadeira mais cobiçada da República. Como vice-presidente e se a chapa não for cassada integralmente pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ele tem o direito a aspirar tal posição, caso o impeachment de Dilma, cada vez mais iminente, se concretize.
Se Dilma cair – e os indicativos são cada dia mais fortes – ela não caiu por que as ruas pediram (assim como não foram os cara-pintadas que derrubaram Collor); por que a oposição foi forte o suficiente para provar seus desvios de conduta ou por que o PMDB deixou-a na mão. Ela cai pela própria incompetência de não saber dialogar, coisa que seu antecessor, Lula, tinha de sobra. O ex-presidente trazia o PMDB na coleira. Às vezes afrouxava um pouco a cordinha, para uma ida rápida ao poste, mas voltava sorrindo às mãos do então presidente.
Se Dilma cair, ela será a primeira presidente a ser impedida sem ter nenhuma denúncia comprovada, um inquérito aberto ou se tornado ré em algum processo. Se o impeachment acontecer, a culpa é dela. Somente dela e de sua inabilidade política.

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