Senso & Consenso

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A onça e a água

A notícia da semana foi, sem dúvida, o discurso de “posse” de Michel Temer (PMDB), mesmo antes da conclusão do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), vazado em grupo de WhatsApp. Se alguém tem dúvida que foi proposital e programado, eu não tenho. Durante toda a semana, até mais que a própria aprovação do relatório pela admissibilidade do impedimento da presidente, na Comissão Especial da Câmara dos Deputados, ficou em segundo plano entre os analistas políticos. O discurso ganhou contornos interessantes, principalmente na visão de dois dos mais conhecidos jornalistas políticos do país, Mário Magalhães, que tem um blog com seu nome e faz parte da blogosfera do UOL, e Elio Gaspari, colunista da Folha de S. Paulo.
Ambos, chamaram a atenção para um pequeno detalhe, esquecido pela maioria dos especialistas, que foi a falta da palavra “corrupção”, durante toda a transcrição da fala de Temer. Em nenhum momento o vice – e quase lá – conclamou o povo e seus correligionários para esse pequeno detalhe. Mero detalhe, com certeza, na sua visão. A corrupção endêmica que tomou conta de um país, mas não de um partido só, como tentam mostrar agora. Chamou-me a atenção o posicionamento dos dois analistas, pela clareza de suas ideias e o que pode representar tudo isso para o futuro. Não escreveram abertamente, mas nas entrelinhas deixaram escapar que o tema pouco interessa a ele (Temer), ao seu partido e aos demais partidos que hoje estão na oposição. E até mesmo os oposicionistas tradicionais, como PSDB, DEM, PPS, PSB, etc..
Há uma percepção muito clara, para mim, e alguém já escreveu isso também, que com o impeachment de Dilma Rousseff assegurado (e o processo vai longe, ainda), haveria uma tentativa de se esvaziar a operação Lava Jato. Principalmente por que ela chegou a alguns caciques tradicionais do próprio PSDB, DEM e, a cada dia mais, chega ao próprio PMDB, o partido com a maioria dos réus no processo. Não gosto de acreditar nisso. Também não duvido. É esperar e ver os resultados. Aí teremos a certeza se a atuação de Sérgio Moro foi politizada; ou não. E se Lula acertou, quando chamou o STF de acovardado. É o pós-impeachment que será mais interessante. Muito mais do que imaginamos.

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