Transparência é bom

Transparência é bom

Em tempos de crise econômica e política, onde se cobra mais transparência do Poder Público e de políticos em geral, a postura da Secretaria de Educação do Estado, de tentar desmentir a denúncia de funcionários de escolas estaduais de Limeira sobre a falta de produtos básicos para o funcionamento destas unidades de ensino – como impressoras e papel sulfite, produtos de limpeza e até papel higiênico – mostra que o governo paulista segue com sua postura de dificultar o acesso da imprensa a informação.
A denúncia foi checada por esta Tribuna de Limeira com funcionários de quatro escolas na cidade e todos confirmaram a falta destes produtos, afirmando que o governo estadual reduziu gastos e tem enviado verba menor para eles. A afirmação da secretaria de que “como a reportagem opta por não informar o nome das unidades fica impossível dizer quais estariam enfrentando algum problema pontual” é fraca e sem fundamento. O Estado sabe muito bem quanto enviou para cada escola e quanto enviava antes deste corte de gastos. O problema não é pontual e atinge várias unidades de ensino em Limeira.
O curioso é que na mesma nota, a secretaria cita que “o momento é de otimização de recursos públicos para que sejam oferecidos melhores serviços com menor custo”.
Atendendo a um pedido dos funcionários destas escolas ouvidos pela reportagem, o jornal optou por não passar nomes de escolas, nem bairros da unidades de educação. O medo destes trabalhadores é óbvio: represálias no futuro. Vale ressaltar que no entendimento do jornal, esta informação (de quais escolas estariam com problemas) não diminui em nada o peso e gravidade da denúncia.
Sobre as represálias, a nota do Estado ainda trata como sendo um “absurdo que a Diretoria de Ensino seja alvo de críticas que envolvam perseguição e não tenha o direito legítimo de averiguar os casos. A administração não compactua com quaisquer formas de constrangimento e de violação de direitos de seus servidores”.
Lembrando que em meados de fevereiro deste ano, quatro meses após o governador Geraldo Alckmin (PSDB) alterar decreto determinando a abertura de documentos públicos colocados em sigilo em sua própria gestão, o governo voltou atrás e classificou como secretos temas relacionados a Segurança Pública – alguns por até 25 anos.
Talvez, mais que do que econômica e política, a crise pela qual passa a política brasileira seja moral.

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