Com 97,72% de conciliações em conflitos relacionados à Polícia Civil, o Necrim (Núcleo Especial Criminal) de Limeira prova que é possível se criar mecanismos que auxiliem de alguma maneira o Poder Judiciário na solução de conflitos de uma forma rápida e até mais barata para o Estado. Conforme mostrou a Tribuna de Limeira em sua última edição, no dia 25 de dezembro, o núcleo especial foi inaugurado na cidade em 1º de março de 2013 e desde então conseguiu a conciliação de 5.338 conflitos de um total de 5.462 TCs (Termos Circunstanciados) – espécie de procedimento policial judiciário. Em outras palavras, o Necrim cumpre, e bem, seu papel de Polícia Judiciária e, a exemplo de órgãos como Cejusc (Centro Judiciário de Solução de Conflitos) – popularmente conhecido como Centro de Conciliação – evita que mais processos sejam encaminhados ao Poder Judiciário. Além da resolução rápida dos conflitos, o Necrim também cumpre um importante papel social, já que o ambiente das audiências nos núcleos especiais é bem menos formal que em uma audiência em um fórum com a presença de um juiz, além de ter um ambiente diferente de uma delegacia de polícia e, mesmo contando com um delegado coordenador, este exerce muito mais o papel de um conciliador, que visa que as partes cheguem a um consenso e que o conflito seja resolvido ali, de forma rápida e amigável. Apesar do excelente desempenho, vale ressaltar que mais processos poderiam ser resolvidos se o núcleo contasse com mais material humano. Ligado a Polícia Civil, o Necrim é de responsabilidade do governo do Estado e não é novidade que há muito tempo faltam profissionais não só na Polícia Civil, como também na Polícia Militar. Não bastasse isso, estagiários antes fornecidos através de parceria com o governo municipal foram cortados. Em um momento onde as forças policiais são alvo frequente de críticas (muitas delas com razão) por parte da sociedade, os resultados e o trabalho exercidos pelos Núcleos Especiais Criminais merecem ser elogiados e são a prova de que é possível um trabalho de polícia conciliadora de primeiro mundo no Brasil.